Mercadante: há uma intervenção militar na saúde e as respostas não chegam

Ex-ministro Aloizio Mercadante em entrevista ao DCM. Foto: Reprodução/YouTube

O ex-ministro Aloizio Mercadante declarou ao programa DCM ao Meio Dia desta terça-feira (14/7) que há uma intervenção militar no Ministério da Saúde e que as respostas para o enfrentamento da crise relacionada à Covid-19 continuam não chegando para a população. A afirmação foi feita por Mercadante ao comentar nota do ministro do STF Gilmar Mendes, em que Mendes afirmou respeitar as Forças Armadas e disse que seu comentário de que o Exército estava se associando a um “genocídio” na gestão da pandemia no Brasil foi em referência à presença excessiva de militares na pasta da Saúde.

“Já são 72 mil mortos, não há teste massivo, não houve medidas prudenciais, não houve parceria republicana com estados e municípios, não houve a liberação dos recursos prometidos, e nós estamos com os prefeitos e governadores tensionados, muitas vezes, com aberturas e flexibilizações indevidas, sem evidencia científica sem recomendação da medicina”, disse Mercadante. O ex-ministro relembrou, ainda, que em 9 estados do país continua a aceleração dos casos e da contaminação e que há capitais que estão com a capacidade de atendimento pública acima de 90% e em alguns casos da rede pública e privada.

Ao explicar a intervenção militar no Ministério da Saúde, o ex-ministro argumentou que governo Bolsonaro nomeou general intendente, que não é médico, que não tem formação na medicina, e que loteou o Ministério com cargos políticos e militares em funções chaves. “Não tem como o exército se livrar dessa página. Não adianta soltar nota atacando o mensageiro, que independente do ministro Gilmar Mendes, o Brasil inteiro está assistindo e isso terá consequências severas sobe o papel das Forças Armadas. E mais, um general da ativa, intendente da ativa, que nem ao corpo médico do exército ele pertence. Então, não tem a menor formação, a menor capacidade de exercer essa função”, evidenciou

Imagem das Forças Armadas

Mercadante avaliou que o comprometimento das Forças Armadas com o governo Bolsonaro é uma situação muito grave e terá um impacto péssimo para a imagem e para o futuro das próprias Forças Armadas. Eles não deveriam se comprometer com esse governo como vem fazendo, e principalmente em fincões que eles não têm nenhuma vocação, nenhuma formação, nenhuma contribuição a dar. Eu acho que eles não deveriam se expor dessa forma completamente indevida e incompatível com a sua função constitucional. Não existe na Constituição Brasileira nenhuma determinação de que um general intendente possa vir a ocupar uma missão em uma pandemia dessa gravidade, que deveria ser evidentemente ocupada por uma equipe médica altamente especialidade, que né o que nós não temos no Brasil”, explicou.

Responsabilização do governo Bolsonaro

O ex-ministro fez uma analogia entre os 72 mil mortos pela pandemia do novo coronavírus no Brasil em poucos meses e os 58 mil mortos de vítimas norte americanas, em nove anos de Guerra do Vietnã. “Não podemos comparar com uma guerra, que foi uma atitude voluntária e imperial dos Estados Unidos, é verdade. Mas, nós já temos 72 mil mortos em poucos meses, não em 9 anos e não foi por falta de advertência e de alerta. O que é que nós não tivemos da parte do governo Bolsonaro: coordenação, planejamento e principalmente o compromisso com a medicina baseada em evidência científica”, elencou.

Mercadante prosseguiu dizendo o Brasil é o segundo país em número de contaminação e está caminhando para disputar o primeiro lugar nessa tragédia humanitária, que é a mais grave da medicina documentada do país. “E de quem é a responsabilidade? É do governo Bolsonaro. Eles subestimaram dizendo que era uma gripezinha, que 70% da população ia ser contaminada, eles disseram, o Bolsonaro disse, que ‘vai morrer mesmo e daí?’”, relembrou.

O ex-ministro também disse que a falta de compromisso do SUS é um dos pontos mais críticos do governo Bolsonaro no enfrentamento da crise. “O Mandetta sempre foi da iniciativa privada, não tinha compromisso com o SUS. Eles cortaram R$ 21 bilhões do orçamento da saúde na gestão dele. Ele só assumiu o SUS no momento da pandemia em que ele viu que a única resposta possível era o atendimento do SUS em casa município do país, que foi esse atendimento que deu suporte a população, principalmente aos pobres, que são os que mais morrem. Ele não conseguiu permanecer pela negação da medicina baseada em evidência científica”, concluiu.

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