Merval acusa o golpe, responde a Bolsonaro, mas deixa esclarecimento por cachês gordos de palestras pela metade

Merval Pereira respondeu aos ataques de Bolsonaro. Acusou o golpe.

Em sua coluna no Globo, lamentou que o presidente “insiste na fake news de que eu teria recebido R$ 375 mil por uma única palestra paga pelo Senac”.

Bem, a grana foi essa. Mas não só por uma.

Num tom professoral, como é de seu feitio, tentou esclarecer:

Em março de 2016, eu e diversos outros jornalistas e economistas fomos contratados para participar do Mapa Estratégico do Comércio, da Fecomércio do Rio.

O projeto previa 15 palestras em diversas cidades do Estado do Rio, analisando as perspectivas políticas e econômicas naquele ano de eleições municipais. Os R$ 375 mil de que fala o presidente, portanto, não se referem a uma palestra, mas às 15 previstas para os anos de 2016 e 2017.

Na verdade, não recebi esse total, pois o programa foi interrompido, e acabei dando 13 palestras, que foram noticiadas nos jornais locais, em informes publicitários da Fecomércio do Rio, em sites, e filmadas. As palestras eram abertas a representantes do comércio, da indústria, da educação, políticos locais, estudantes. (…)

Cada palestra teve a respectiva nota fiscal, incluindo os impostos devidos, e foi declarada no meu Imposto de Renda.

Taokei?

Hummm… Mais ou menos.

Notas fiscais que o Intercept obteve à época mostram que foi tudo sem licitação.

Auditoria apontou irregularidades na gestão de Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio, amigo e ex-vizinho do ex-governador Sérgio Cabral, condenado, na prática, à prisão perpétua na Lava Jato.

“Verificamos que a ligação dos prestadores de serviços com as Organizações Globo é uma das características singulares apresentadas com vistas a justificar a não observância do dever de licitar”, lia-se no relatório.

Diniz foi denunciado por cinco crimes de corrupção ativa, dois de lavagem de dinheiro e crime de organização criminosa.

O conflito de interesses é claro e cristalino, mas Merval, porta-voz dos Marinhos, está acima dessas questões.

Crítico contumaz das conferências de Lula, defendeu que o ex-presidente “tinha toda condição de ser milionário, diante do preço que cobrava pelas palestras que diz ter feito a partir de 2010”.

“A explicação fica complicada porque um dos diretores da Odebrecht afirmou ter sido preparado um esquema, com as palestras, para que o ex-presidente tivesse uma boa aposentadoria”.

Lembrou noutra ocasião que “os negócios pessoais de Lula se confundiam com as decisões do governo”.

Esse raciocínio vale para as organizações Globo, a Fecomércio e Merval?

Ele nunca soube de nada sobre seu contratante? Nunca lhe interessou saber? Se sabia, tudo bem?

Merval fica na saia justa porque sempre cobrou dos outros o que nunca foi, talquei?

Merval (centro) em palestra da Fecomércio: cachê de estrela

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