Mesmo após R$ 62 milhões de Vorcaro, diretor de “Dark Horse” cobra atrasados

Atualizado em 25 de outubro de 2026 às 11:44
Cyrus Nowrasteh
Cyrus Nowrasteh, diretor de “Dark Horse”. Foto: Reprodução

O diretor Cyrus Nowrasteh cobrou pagamentos pendentes por seu trabalho em “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, em julho de 2026, dez meses depois do último repasse de Daniel Vorcaro para financiar a produção. O banqueiro e controlador do Banco Master enviou US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 62 milhões, ao projeto em cinco parcelas entre fevereiro e setembro de 2025. Com informações do ICL noticias.

E-mails reproduzidos em relatório da Polícia Federal mostram que Nowrasteh procurou o deputado Mário Frias, produtor-executivo do longa, no dia 10 de julho. “Quanto ao cumprimento dos compromissos, ainda há valores devidos a mim pelo meu trabalho”, escreveu o cineasta, sem informar o montante cobrado ou o total que já havia recebido.

No dia seguinte, Frias respondeu que reconhecia a contribuição do diretor e prometeu pagar os compromissos assumidos. “Por favor, não se preocupe. Honraremos todos os compromissos que assumimos com você, assim como honraremos todos os compromissos que assumimos com cada pessoa envolvida neste projeto”, afirmou o deputado.

Os documentos analisados não apresentam comprovantes de que a pendência de Nowrasteh foi quitada depois da troca de mensagens. O diretor também pediu explicações sobre alterações na estratégia de distribuição, pois a equipe havia trabalhado para lançar o longa antes das eleições, nos Estados Unidos e em outros mercados.

O diretor Cyrus Nowrasteh. Foto: Reprodução

PF apura destino dos recursos destinados ao filme

A Polícia Federal investiga se os valores enviados por Vorcaro financiaram efetivamente “Dark Horse” ou se a produção teria sido usada como “narrativa de cobertura para a ocultação, simulação e desvio de recursos”. Entre as hipóteses sob apuração está o possível uso de parte do dinheiro para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, sem comprovação até agora.

Em áudio enviado a Vorcaro em 8 de setembro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mencionou o risco de atraso para cobrar novos repasses. “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim, né?”, disse, conforme a gravação extraída do celular do banqueiro.

Vorcaro pagou a quinta e última parcela comprovada pela PF em 16 de setembro de 2025, no valor de US$ 1,6 milhão. Os repasses seguiram para o fundo americano Havengate Development Fund LP por meio da Entre Investimentos, empresa também investigada no caso do Banco Master.

O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, e por Altieris Santana, citado em mensagens encontradas no celular de Vorcaro como pessoa próxima do ex-deputado. A GoUp Entertainment informou em laudo contábil privado ter liquidado R$ 54,2 milhões em despesas no exterior, enquanto contratos de câmbio apontaram a entrada de US$ 2,82 milhões, equivalentes a R$ 14,69 milhões, no Brasil.

A diferença entre os valores remetidos ao exterior e os recursos que entraram no país levou a PF a pedir perícia contábil-financeira. Os investigadores querem confrontar despesas declaradas, contratos de câmbio e o fluxo de dinheiro destinado ao Havengate; o acervo entregue pela GoUp reúne mais de 20 mil páginas de documentos.

O consultor Dennis Rice, que trabalhou para a GoUp nos Estados Unidos, também cobrou valores da produção. Ele se desligou do projeto em 25 de junho de 2026, alegando ambiente de trabalho insustentável, e voltou a pedir pagamento em 28 de julho; os documentos não indicam o valor da fatura nem comprovam quitação posterior.

Os e-mails ainda registram uma negociação frustrada para exibir “Dark Horse” em Washington e em Mar-a-Lago, em sessão que poderia ter Donald Trump como anfitrião. Karina da Gama, da GoUp, comunicou o cancelamento após orientação atribuída a Eduardo Bolsonaro e Mário Frias; as mensagens indicam que o evento não ocorreu.

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