Mesmo com início da vacinação previsto para janeiro, não é momento para aglomerações, alerta imunologista

Por Hellen Alves

Aumento dos casos é decorrente da maior exposição e descuido com segurança – Foto:  Nelson Almeida/AFP

Embora o aumento de casos e óbitos pelo novo coronavírus gere a impressão de que o Brasil está enfrentando uma 2.ª onda da doença, essa avaliação ainda é prematura, segundo Paulo Inácio da Costa, responsável pelo laboratório da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP Araraquara que tem capacidade para realizar até 500 testes por dia de diagnóstico de COVID-19.

“Não estamos passando pela segunda onda; ainda estamos na primeira fase dessa pandemia. A diferença é que a população está ficando mais exposta devido à maior circulação com aglomerações e uso incorreto do sistema de proteção: seja pelo não uso de máscara e álcool 70%, menor distanciamento social com aglomerações e a tentativa de desqualificar ou minimizar as complicações causadas pelo vírus“, explica Paulo. 

Para além de opiniões negacionistas da pandemia, Paulo aponta que é preciso que as pessoas entendam que não existe tratamento eficaz contra a covid-19. “O que nos torna vulneráveis à infecção, são as nossas próprias atitudes diante de uma doença que pode nos levar a óbito”. 

Hoje, o governo do Estado de São Paulo anunciou que iniciará a vacinação em massa no dia 25 de janeiro. Mas, até que toda população seja vacinada, levará um ano, talvez mais.

Com a proximidade das festas de final de ano, as ruas voltam a ficar cheias em proporções próximas aos tempos antes da covid. Ontem (06), viralizou nas redes vídeo mostrando o movimento de pessoas na região do Brás, em São Paulo. Muitas estão de máscara, porém não há distanciamento social. Veja abaixo:

O Brasil se aproxima das 177 mil mortes pela covid-19, mas, apesar da recomendação para que não sejam promovidas aglomerações, muitas pessoas planejam reunir família e amigos para comemorar Natal e Ano Novo. “O vírus não entrará em férias somente porque estaremos em festas do final de ano. NÃO É MOMENTO PARA AGLOMERAÇÕES”, alerta Paulo. 

“Por mais que almejamos festejar a vida e contemplarmos a beleza de estarmos juntos, a dor de quem, perdeu um ente querido deve ser respeitada e tomada de experiência por todos nós. Na cultura brasileira buscamos festejar a vida e não a morte. Se assim o fazemos, o momento que todos estamos passando deve ser de preservação da vida para que após essa pandemia possamos festejá-la”, pondera. 

Paulo Inácio da Costa é professor adjunto da Faculdade de Ciências Farmacêuticas-UNESP/ Campus de Araraquara-SP. Coordenador e Responsável Técnico pelo Laboratório de Imunologia Clínica e Biologia Molecular.

 

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