
O jornalista, escritor e historiador argentino Ezequiel Fernández Moores aponta a conquista da Copa América de 2021, no Maracanã, como a virada na relação de Lionel Messi com a seleção argentina. Para ele, o título sobre o Brasil tirou do camisa 10 o peso de não ter vencido um grande torneio pela equipe principal do país.
A avaliação contrasta com o cenário de 2016, quando Messi perdeu um pênalti na decisão da Copa América contra o Chile e anunciou que deixaria a seleção. Até aquele momento, ele acumulava o ouro olímpico de 2008, mas também carregava derrotas nas finais da Copa do Mundo de 2014 e das Copas América de 2015 e 2016.
Na ocasião, Messi disse que não via mais espaço para continuar com a camisa argentina. “No vestiário pensei que acabou para mim a seleção, não é para mim. É o que sinto agora, é uma tristeza grande que volto a sentir. Foram quatro finais, infelizmente não consegui. Era o que mais desejava. É para o bem de todos. Por mim e por todos”, afirmou o jogador.
Moores sustenta que a conquista no Rio de Janeiro mudou esse roteiro. “O que mudou essencialmente foi o título. Quando o Messi ganhou a Copa América, no Maracanã, foi como um alívio completo. Tenho a sensação de que ele chegou àquela Copa América de 2021 já mais leve em relação ao peso da responsabilidade”, disse.

O historiador também usa os números para explicar a mudança no ciclo comandado por Lionel Scaloni. Antes do treinador, Messi disputou quatro Copas do Mundo, fez 19 jogos e marcou seis gols; com Scaloni, em duas Copas, soma 10 partidas e 13 gols.
Moores vê a transformação mais no campo psicológico do que no técnico. “Houve uma Copa, a de 2010, na África do Sul, em que o gol parecia negar o Messi. Agora ele entra em campo e faz gol. É como se tudo aquilo que antes era frustração, bola na trave, goleiro adversário fazendo uma grande partida ou qualquer outro obstáculo, tivesse desaparecido”, afirmou.
Para ele, Scaloni não foi o primeiro a organizar a Argentina em torno de Messi, mas conseguiu construir uma equipe menos dependente do craque em todos os momentos. “Para mim, quem se libertou foi o Messi. O time sempre procurou jogar em função dele. O grande mérito do Scaloni foi montar um grupo”, disse Moores.
A sequência de títulos também alterou o debate sobre Messi e Diego Maradona na Argentina. Moores afirma que a comparação continua inevitável, mas lembra que Maradona venceu a Copa aos 25 anos, no México, enquanto Messi conquistou o Mundial aos 35, no Catar; com o camisa 10, a Argentina enfrenta Cabo Verde nesta sexta-feira, às 19h de Brasília, em Miami, pela segunda fase da Copa do Mundo.