
Candidatos que mais gastaram com impulsionamento nas plataformas da Meta tiveram, em média, melhor desempenho nas eleições de 2026, segundo análise do jornalista José Roberto de Toledo, do Uol. A relação apareceu com mais força nas disputas para o Legislativo, a partir da comparação entre investimentos declarados em repositório público de anúncios e os resultados nas urnas.
Toledo afirmou que os indicadores estatísticos apontaram correlação elevada entre gasto em publicidade digital e sucesso eleitoral. “Não consegui demonstrar uma relação causal; não é porque impulsionou mais que alguém teve mais sucesso de eleição. Porém, quem gastou mais coincidiu de se eleger mais”, disse.
O jornalista citou coeficientes de Spearman e Pearson próximos de 0,9, em uma escala cujo limite é 1, para sustentar que a associação entre as duas variáveis é forte. Ele ressaltou, porém, que os números não permitem afirmar que o impulsionamento tenha causado diretamente as vitórias.
Entre os fatores que podem explicar os resultados, Toledo apontou o tamanho do caixa das campanhas e a vantagem de candidatos que já ocupavam mandato. “O impulsionamento é como uma proxy do gasto, mas também conta se o indivíduo já era deputado, por exemplo”, afirmou.

Reeleição e campanhas acima de R$ 1 milhão pesaram na análise
O modelo analisado por Toledo identificou a alta taxa de reeleição e o nível total de despesas como elementos relevantes para o desempenho de candidaturas. No caso de deputados, ele disse que campanhas com gastos acima de R$ 1 milhão já apresentavam influência nos resultados.
O efeito se tornou mais intenso quando o investimento superior a R$ 1 milhão ocorreu especificamente em anúncios nas plataformas da Meta. A empresa controla redes como Facebook e Instagram, usadas por campanhas para distribuir conteúdo pago a públicos segmentados.
Toledo atribuiu parte do peso da Meta à saída do Google do mercado de impulsionamento eleitoral. Para ele, as exigências impostas pela Justiça Eleitoral levaram a empresa a abandonar esse tipo de publicidade, concentrando a disputa oficial remunerada nas plataformas do grupo de Mark Zuckerberg.
“As exigências da Justiça Eleitoral aumentaram tanto que o Google ‘caiu fora’. Com isso, basicamente só sobrou uma Meta no jogo”, disse Toledo. Na avaliação dele, a concentração elevou a importância do poder financeiro para campanhas que precisavam alcançar eleitores por meio de anúncios pagos.