“Meu sistema de informações”: policiais que passam dados sigilosos a Bolsonaro estão cometendo crimes

Bolsonaro na reunião de 22 de abril

Em sua reunião anal, Bolsonaro comentou, a certa altura, sobre seu “sistema de informações”.

“O meu funciona. O meu particular funciona. O que tem oficialmente desinforma”, disse.

Após a divulgação do vídeo, o sujeito deu uma entrevista coletiva em que se alongou um pouco mais sobre o tema.

“Sabiam do problema do governador [Witzel], que queria minha cabeça a todo custo? Que o objetivo dele é ser presidente da República, né? E para isso tinha que destruir a mim e à minha família. O tempo todo vivendo sob tensão. Possibilidade de busca e apreensão na casa de filhos meus, onde provas seriam plantadas”, falou.

“Levantei – graças a Deus tenho amigos policiais civis e policiais militares no Rio de Janeiro – o que estava sendo armado para cima de mim. ‘Moro, eu não quero que me blinde. Mas você tem a missão de não me deixar ser chantageado’. Nunca tive sucesso para nada”.

Os policiais estão cometendo crime, segundo o Código Penal, além de infrações administrativas. O artigo 325 diz o seguinte:

Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação.

Pena – detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública; II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.

2º Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem:  Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

Pelo que se infere, o presidente montou a tal “Abin paralela” citada pelo falecido Bebbiano.

Bolsonaro conta com um esquema envolvendo esses agentes. Caberá à Justiça investigar uma eventual formação de quadrilha.

Em 2018, dois PMs foram presos por transmitir informações sigilosas a uma quadrilha que assaltou pelo menos 20 casas na região do Morumbi, em São Paulo.

Em 2013, o delegado da PF Adauto Gomes da Silva Júnior foi condenado pela Justiça Federal em Mossoró (RN) a sete anos e seis meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, por vazar dados confidenciais sobre uma operação.

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