“Mexemos com pessoas perigosas”: Sleeping Giants Brasil fala ao DCM. Por Pedro Zambarda

Sleeping Giants. Foto: Reprodução/Twitter

Matt Rivitz, o dono da página internacional da Sleeping Giants, foi exposto por sites internacionais próximos de Steve Bannon, diz o El País. Graças às denúncias, o site de extrema direita Breitbart News perdeu mais de oito milhões de euros (50,7 milhões de reais) em publicidade por culpa dessa conta no Twitter que atua desde 2016.

O papel do Sleeping é essencialmente denunciar, sobretudo para grandes empresas, onde a publicidade programática delas, que é automática, está sendo veiculada. Muitas companhias não sabem ou fazem vista grossa para suas divulgações em sites que fabricam fake news.

Inspirados pelo Sleeping Giants americano, um perfil brasileiro surgiu denunciando o site bolsonarista Jornal da Cidade Online. Empresas como a Dell, de tecnologia, sofreram uma pressão para retirar anúncios dessa página que atacava juízes e ministros do Supremo Tribunal Federal para circular entre perfis, fakes ou não, de bolsonarista.

A página bolsonarista chegou a ter mais de 900 anunciantes em publicidade de acordo com o UOL. O Sleeping Giants Brasil chegou a tirar anúncios do Banco do Brasil do site, entre outras empresas, mas uma pressão de Carlos Bolsonaro forçou o BB a voltar com seus banners.

Para entender melhor essa história, o DCM entrevistou o Sleeping Giants Brasil, que pediu para manter sua identidade em sigilo.

Sleeping Giants. Foto: Reprodução/Twitter

Diário do Centro do Mundo: Como surgiu a ideia de criar o perfil brasiileiro do Sleeping Giants no Brasil? A articulação para criação do perfil demorou muito tempo?

Sleeping Giants Brasil: A ideia surgiu através de uma matéria, do El País, sobre o movimento nos Estados Unidos. Adoramos a solução encontrada pelo Matt para, literalmente, quebrar o financiamento do discurso de ódio e sabiamos que o Brasil necessitava de algo parecido.

A articulação para criação do perfil demorou aproximadamente 10 minutos após a leitura da matéria. Foi tudo muito rápido e passei a noite toda em claro de segunda ativo. Só paramos quando em menos de 24 horas já tínhamos batido 10 mil seguidores!

DCM: Vocês temem pela segurança de vocês caso a identidade de vocês seja revelada?

SGB: Tememos, já aconteceu isso com o perfil americano e a família dele foi muito atacada. Mexemos com pessoas perigosas. Isso é personificado no Brasil pelo gabinete do ódio e torcemos pela condenação destes, se realmente for possível, na CPI da Fake News.

DCM: Vocês consideram que o trabalho de vocês é um complemento para a verificação de fatos, que mostram as fake news na internet?

SGB: Sim, acreditamos que toda ajuda é muito bem-vinda quando o quesito é combater desinformação. Buscamos dar mais publicidade aos dados apurados por eles.

DCM: Os produtores de fake news na internet só vão parar quando a publicidade deixá-los?

SGB: Acreditamos que sempre existiu fake news, pois a mentira é uma forma de poder e por isso acreditamos que eles não irão desaparecer apenas com a desmonetizarão. Acreditamos que somos um passo inicial muito importante. Eles irão deixar a internet apenas quando Brasil tiver leis mais sérias contra a desinformação de noticia falsa e discurso de ódio.

DCM: Já há deputadas alinhadas ao presidente Bolsonaro, como Carla Zambelli, atacando vocês. Temem reações desse governo?

SGB: Já estamos sendo, infelizmente, atacados por integrantes do governo. Acreditamos estar fazendo um ótimo serviço ao orçamento público, que está escasso para o trabalhador segundo o mesmo, ao divulgar que órgãos públicos estão financiando sites que fazem um desserviço a todos os brasileiros.

DCM: As empresas fazem pouco caso da publicidade que atrelam aos sites, chegando até em páginas de fake news, ou vocês acham que isso é fruto do vale tudo por audiência na internet?

SGB: Acontece que quando uma empresa decide contratar pacotes de publicidade automatizadas, muitas vezes, acabam nem tendo noção de onde esses anúncios estão sendo veiculados.

Nosso propósito é exatamente esse: informá-las dessa veiculação e solicitar um comprometimento para que incluam em uma forma de blocklist esses sites responsáveis pela disseminação de notícias falsas.

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