
Michelle Bolsonaro procurou nesta semana o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir que o marido, Jair Bolsonaro, cumpra pena em prisão domiciliar. O apelo foi feito com base no estado de saúde do ex-presidente, que está preso em Brasília.
Segundo o blog de Andréia Sadi no g1, aliados e bolsonaristas relataram que Michelle buscou sensibilizar o decano da Corte ao afirmar viver um drama pessoal. Segundo esses interlocutores, a avaliação do grupo é que Bolsonaro não teria condições clínicas de permanecer no sistema prisional nas atuais circunstâncias.
Bolsonaro está detido na superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes, negou recentemente mais um pedido da defesa para a concessão de prisão domiciliar.
Nos bastidores, aliados afirmam que Michelle tenta dialogar com outros ministros do STF por acreditar que há divergências internas em relação à posição de Moraes. A estratégia seria abrir caminho para que integrantes da Corte conversem com o relator sobre uma eventual mudança de entendimento.

Procurado, Gilmar Mendes confirmou que recebeu Michelle, mas evitou comentar o conteúdo da conversa. O ministro não fez qualquer avaliação pública sobre o pedido.
O argumento central da defesa envolve a saúde de Bolsonaro. No fim de dezembro, ele foi levado a um hospital para uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Também passou por procedimentos para tentar conter crises recorrentes de soluço.
Em 1º de janeiro, Moraes negou um pedido de prisão domiciliar apresentado após as cirurgias. Na semana passada, Bolsonaro passou mal e sofreu uma queda no local onde cumpre pena, sendo encaminhado a um hospital para exames antes de retornar à sede da PF.
Bolsonaro foi condenado em setembro e chegou a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico até novembro, após violar medidas restritivas. Em 22 de novembro, teve a prisão preventiva decretada por Moraes depois de tentar danificar a tornozeleira eletrônica. Três dias depois, o STF determinou o início do cumprimento definitivo da pena.