
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comunicou ao marido, ex-presidente Jair Bolsonaro, sobre sua decisão de divulgar um vídeo em que relata ter sido maltratada e humilhada pelo senador Flávio Bolsonaro. Ela também informou que deixaria a presidência do PL Mulher e que não seguiria mais seus enteados Carlos, Eduardo e Jair Renan nas redes sociais.
De acordo com a senadora Damares Alves, amiga próxima de Michelle, todas as ações da ex-primeira-dama foram previamente combinadas com o ex-presidente, que teria aprovado a divulgação do vídeo e as críticas públicas ao filho. Michelle teria iniciado a elaboração do roteiro ainda em março, reforçando a tensão existente com os enteados.
A tensão interna da família Bolsonaro aumentou após o ex-presidente autorizar a candidatura de Flávio ao Senado, gerando disputas de influência dentro do clã e entre aliados políticos. Michelle demonstrou descontentamento com o cenário e decidiu não contribuir com a campanha do senador, o que pode impactar sua base eleitoral.
O episódio evidencia divergências sobre o controle das decisões familiares e políticas, incluindo estratégias de comunicação e posicionamentos públicos diante de aliados e adversários. A movimentação da ex-primeira-dama também reflete um esforço de preservar sua imagem enquanto política e líder feminina dentro do PL.

Além do conflito familiar, pesquisas recentes da AtlasIntel/Bloomberg apontam que Bolsonaro perdeu força entre eleitoras, enquanto Lula lidera com 50,1% das intenções de voto contra 35,1% do senador Flávio Bolsonaro. O cenário sugere alterações significativas na composição do eleitorado feminino, historicamente relevante para as eleições.
O blogueiro Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro, criticou Michelle por suas declarações, indicando divisão entre os apoiadores do clã e amplificando a repercussão política do vídeo. As falas geraram debates sobre lealdade familiar versus estratégia eleitoral.
Michelle encerrou suas atividades na Comissão de Direitos Humanos do Senado, da qual é presidente, destacando a necessidade de combater a violência política contra mulheres e alertando que o silêncio dos homens diante de abusos configura conivência. A declaração reforça sua postura de ativismo político independente dentro do cenário nacional.
O desdobramento do episódio evidencia o impacto de disputas internas da família Bolsonaro sobre campanhas eleitorais, alianças partidárias e percepção pública. A ação de Michelle pode influenciar alianças e decisões estratégicas do PL, enquanto consolida sua posição como voz ativa em temas de direitos humanos e representatividade feminina.