Michelle Bolsonaro recebeu ajuda de equipe de Nikolas Ferreira em vídeo contra Flávio

Atualizado em 7 de julho de 2026 às 14:58
Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro. Foto: Reprodução

A jornalista Andréia Sadi afirmou que o vídeo em que Michelle Bolsonaro diz ter sido humilhada por Flávio Bolsonaro não foi uma reação espontânea da ex-primeira-dama, mas parte de uma estratégia política organizada com a ajuda de pessoas ligadas à equipe de Nikolas Ferreira.

A gravação citada por Sadi foi publicada por Michelle em meio à crise aberta no clã Bolsonaro após Flávio assumir a pré-candidatura à Presidência. No vídeo, a ex-primeira-dama afirma ter sido desautorizada, maltratada e humilhada pelo senador. Ela também responsabiliza Flávio por sua ausência em articulações recentes do PL e tenta se apresentar como a figura mais fiel às orientações políticas de Jair Bolsonaro.

A fala de Michelle expôs uma disputa interna que já vinha provocando desgaste no bolsonarismo. De um lado, Flávio tenta se consolidar como herdeiro eleitoral do pai para 2026. De outro, Michelle mantém capital político próprio, especialmente entre mulheres conservadoras e evangélicas, e passou a demonstrar incômodo com o espaço reservado a ela nas movimentações da direita.

Durante comentário na GloboNews, Andréia Sadi afirmou que a gravação não deve ser lida como um desabafo improvisado. Segundo a jornalista, Michelle tem um plano político e usou o vídeo para marcar posição dentro da disputa.

“Quer dizer, a Michelle tem um plano. As pessoas estão achando que assim, ah, mulher jogou no ventilador. Não, tem um plano. Tá muito organizado”, afirmou Sadi.

A avaliação contraria a leitura de que Michelle teria publicado o vídeo apenas por impulso. Para a jornalista, a gravação integra uma movimentação calculada dentro da disputa interna da direita e reforça o protagonismo que a ex-primeira-dama tenta construir no campo bolsonarista.

Pessoas próximas à movimentação relataram a participação de integrantes ligados ao deputado Nikolas Ferreira, ou de pessoas que conhecem a forma como ele produz seus vídeos, na preparação do material de Michelle.

“Quem tá acompanhando de perto disse que teve gente que trabalha com o Nikolas, ou que trabalhou com o Nikolas, ou que conhece como o Nikolas faz os vídeos dele, que ajudou a Michelle a fazer aquele vídeo, que de amador não tem nada”, disse a jornalista.

Sadi também descreveu a gravação como uma peça de comunicação com estrutura profissional, e não como um vídeo caseiro feito às pressas. “É totalmente roteirizado, totalmente planejado, totalmente contextualizado. Tem um set”, afirmou.

A menção a Nikolas Ferreira amplia a dimensão da crise. O deputado mineiro é hoje um dos principais nomes da extrema-direita nas redes sociais e tem influência sobre a linguagem digital do bolsonarismo. A suspeita de que pessoas ligadas a ele tenham ajudado Michelle indica que a ex-primeira-dama pode estar buscando apoio fora do núcleo comandado por Flávio.

Com Jair Bolsonaro fora da disputa eleitoral, aliados tentam definir quem ocupará o espaço deixado pelo ex-presidente. A pré-candidatura de Flávio, no entanto, enfrenta resistências internas e passou a ser pressionada publicamente pela própria madrasta.

Francine Eustaquio
21 anos. Trabalha no DCM desde 2025. Interessada em política, cultura e temas sociais, dedica-se à produção de conteúdo informativo e otimizado para o público digital. Aprecia leitura, cinema e música, além de explorar novos destinos e experiências gastronômicas nas horas vagas.