
Flávio, o empreendedor dos Bolsonaros, o racional, o amigo da Faria Lima, foi à aglomeração da Paulista contra tudo isso que está aí e que mais uma vez foi marcada por ataques a Alexandre de Moraes e ao Supremo.
Por que o filho ungido foi a um evento de radicais, se vem tentando se apresentar como o mais novo moderado, para conquistar a velha direita?
Flávio foi porque está percebendo que não corre mais riscos, se fortalecer a fidelização da base extremista. A velha direita, incluindo líderes e eleitores, não está preocupada com extremismos.
Flávio apareceu de óculos escuros, o que pode indicar algo importante no seu novo estilo. E ouviu Nikolas Ferreira dizer aos gritos em cima do caminhão de Malafaia:
“O destino do Alexandre de Moraes não é impeachment, não. O
destino do Alexandre de Moraes é cadeia”.
Em ato da direita realizado neste domingo (1º) na Avenida Paulista o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) subiu o tom contra o STF (Supremo Tribunal Federal) afirmando que o o “destino final” do ministro Alexandre de Moraes “é a cadeia” e que o “Brasil não tem medo” do… pic.twitter.com/eUKEGaX06U
— Estadão 🗞️ (@Estadao) March 2, 2026
O filho, mais contido, apenas ameaçou ministros do Supremo com impeachment. O fascismo e a velha direita contam muito com essa moderação:
“Quero deixar uma coisa muito clara: todos nós somos favoráveis a impeachment de qualquer ministro do Supremo que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos maioria no Senado Federal”.
Defender impeachment de ministro é quase nada perto do que defendem os radicais, como o próprio Malafaia, que disse o seguinte, depois de chamar Alexandre de Moraes de novo de ditador:
“Ele (Alexandre de Moraes) foi comprado. O seu poder foi comprado no contrato da mulher dele. Ela (a advogada Viviane Barci de Moraes) tem que ser convocada. O sigilo dele tem que ser quebrado”.
Apresentaram-se também Caiado e Zema, que se esforçam para que sejam aceitos como bolsonaristas. Mas são fracos, tão fracos que, mesmo sendo, em tese, concorrentes de Flávio à presidência, estavam lá ao lado dele, como ajudadores.
➡️ Zema discursa durante ato na Avenida Paulista
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A aglomeração teve forte apelo religioso e um exemplo foi essa manifestação cristã do deputado Mário Frias:
“Muita gente diz que a gente é extremo, que a gente é radical. E a gente é radical, sim, a gente é radicalmente cristão. A gente é radicalmente temente a Deus. A gente é radicalmente patriota e radicalmente Bolsonaro”.
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Deus não tem ajudado o fascismo, mas desta vez pelo menos não mandou raios sobre as cabeças de Nikolas e dos que estavam por perto.
A aglomeração teve, no pico de público, 20,4 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a ONG More in Common.
No Rio, em Copacabana, apareceram 4,7 mil pessoas. Parece pouco para São Paulo e muito pouco para o Rio, e sabe-se que em outras capitais também foram aglomerações modestas.
Mas nada disso tem hoje o significado que vinha tendo até o ano passado. Aglomerações analógicas, à direita e à esquerda, perderam o sentido.
É preciso registrar que Michelle e Tarcísio não apareceram. Michelle fez uma cirurgia logo agora. E Tarcísio arrumou uma viagem, também logo agora.
Desapareceram no momento em que Flávio é apresentado à sociedade, em evento público, como ungido pelo pai. Fugiram de Malafaia, de Nikolas e de Flávio, mesmo que todos também sejam radicalmente cristãos.
MANIFESTAÇÃO DA DIREITA | Ato com Flávio Bolsonaro na Paulista teve 20,4 mil pessoas, diz Monitor da USP
Oposição ao presidente Lula realizou atos em todo o País neste domingo, 1.º, defendendo liberdade para Jair Bolsonaro, preso pela trama golpista, e com críticas aos ministros… pic.twitter.com/BsylKIZv6I
— Estadão 🗞️ (@Estadao) March 2, 2026
LIBERAIS
Estou confuso. Ontem a repórter Sandra Coutinho disse na Globo, com certa candura, que o “Irã liberal” de Reza Pahlavi deu lugar à teocracia dos aiatolás no Irã.
Chamar Reza Pahlavi de liberal é quase como dizer que a família Bolsonaro é uma trincheira da democracia.
Mas aí leio agora na Folha o seguinte: “Há diversos argumentos para justificar a contenção da teocracia instaurada em 1979 pelos fanáticos xiitas de Ruhollah Khomeini que derrubaram a abusiva monarquia do xá Reza Pahlavi”.
Abusiva monarquia já melhora um pouco. Mas nada é mais escrachado do que o editorial do Estadão, que ignora a matança de crianças, desde que Trump destrua o poder dos aiatolás.
As ideias, as ações e os crimes do fascismo brasileiro não existiriam sem a exuberância liberal da imprensa das corporações.