Michelle recorre ao caso Collor para tentar prisão domiciliar de Bolsonaro

Atualizado em 22 de janeiro de 2026 às 18:08
Michelle e Jair Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/PR

Aliados de Jair Bolsonaro intensificaram articulações no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar viabilizar a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente. A estratégia combina pressão política com expectativa em torno da perícia médica determinada pelo relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, apontada como decisiva para qualquer mudança no regime. Com informações da Folha de S.Paulo.

Na semana passada, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teve uma conversa reservada e descrita como cordial com Moraes. Segundo relatos, ela detalhou a queda sofrida por Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, as informações desencontradas recebidas pela família e o atendimento médico posterior.

Moraes não deu garantias, mas afirmou que analisaria os dados e que o prazo para decisão seria o “da Justiça”. Durante o encontro, Michelle comparou a situação do marido ao caso do ex-presidente Fernando Collor, que obteve prisão domiciliar humanitária.

Moraes respondeu que Collor foi diagnosticado com Parkinson e apresentava risco de queda. Michelle então listou os medicamentos usados por Bolsonaro, os efeitos colaterais e também mencionou risco semelhante, respondendo a questionamentos feitos pelo ministro.

O ministro do STF Alexandre de Moraes. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ex-primeira-dama também atribuiu ao efeito de remédios o episódio em que Bolsonaro violou a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, em novembro. Segundo ela, a interação entre os medicamentos teria contribuído para o ocorrido e afirmou que o ex-presidente não teria mexido no equipamento se ela estivesse em casa naquele momento.

Paralelamente, aliados relatam uma mobilização ampla junto a ministros do Supremo. Um deles resumiu o movimento dizendo que “todo mundo está falando com todo mundo”. Além de Moraes, são citados contatos com Edson Fachin, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) procurou quatro magistrados.

Nos bastidores, aliados avaliam que a perícia médica e a transferência de Bolsonaro para a Papudinha renovaram as esperanças pela domiciliar, mas admitem que a exposição pública pode retardar a decisão. Um parlamentar afirmou que é preciso cautela para que Moraes não se sinta pressionado, mas convencido.

Outro aliado acrescentou um cálculo político: negativas sucessivas “vitimizam Bolsonaro” e podem fortalecer o projeto eleitoral do senador Flávio Bolsonaro.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.