
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta sexta-feira (26) que “Michelle tem um preço” para o partido ao comentar a importância da ex-primeira-dama para a sigla em meio à crise com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
A declaração foi feita em entrevista à jornalista Kelly Matos, da Rádio Gaúcha, após Michelle expor publicamente ter sido maltratada e humilhada pelo senador em uma conversa sobre os rumos do PL no Ceará. “A Michelle tem um preço para nós, o que ela fez pelo PL, mulher no Brasil não tem preço”, disse Valdemar.
O dirigente afirmou que estava em Miami, nos Estados Unidos, mas antecipou sua volta ao Brasil por considerar o episódio “muito sério”. Segundo ele, a prioridade agora é conversar pessoalmente com Michelle e Flávio para impedir que o atrito contamine a pré-campanha presidencial do senador.
“Eu tenho que conversar com a Michelle chegando e com o Flávio. Nós temos que acertar isso aí, porque, se não acertar isso aí, nós já vamos sair perdendo em casa. Vamos ter que acertar”, afirmou.
A fala mostra a preocupação do comando do PL com o peso eleitoral de Michelle, especialmente entre mulheres conservadoras e evangélicas. Desde 2023, ela preside o PL Mulher e percorreu o país para organizar diretórios, fortalecer lideranças locais e ampliar a presença feminina no partido.
Valdemar diz que desentendimento entre Michelle e Flávio Bolsonaro ‘é muito sério’ e antecipa volta ao Brasil https://t.co/3VyB9eDieJ #g1 pic.twitter.com/h2CI8MlehH
— g1 (@g1) June 26, 2026
A crise começou após Michelle publicar vídeos nas redes sociais criticando Flávio. A ex-primeira-dama afirmou que o senador foi ríspido ao telefone e a desrespeitou durante uma conversa sobre a articulação do PL no Ceará. O ponto central da divergência é a possibilidade de aproximação com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) no primeiro turno.
Michelle rejeita a aliança com Ciro e defende outro caminho para o bolsonarismo no estado. Depois da repercussão, Flávio reagiu publicamente, pediu desculpas e afirmou que a direita precisa permanecer unida. O senador também disse que Michelle terá papel importante na campanha.
Valdemar demonstrou preocupação com o impacto eleitoral do episódio. Segundo ele, Flávio está “com a eleição quase empatada com Lula”, e o partido não pode começar a disputa dividido dentro da própria casa.
Após expor o atrito, Michelle voltou às redes sociais para tentar reduzir a temperatura da crise. Ela afirmou que “não há briga, nem competição” entre aliados e disse que apenas quis esclarecer uma situação que, segundo ela, vinha sendo “deturpada”. A ex-primeira-dama também pediu que trechos de sua fala não fossem retirados de contexto.
O episódio escancarou divisões no bolsonarismo em um momento em que o PL tenta organizar a candidatura de Flávio e preservar o capital político de Jair Bolsonaro. Para dirigentes da sigla, a pacificação com Michelle se tornou prioridade para evitar desgaste com um eleitorado considerado decisivo em 2026.