Microsoft espalha fake news contra Lula pelo MSN e pelo painel do Windows

Atualizado em 19 de outubro de 2026 às 20:10
Print de matéria do 111Next exibido no site do MSN. Reprodução

A Microsoft distribuiu fake news contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo portal MSN e exibiu propaganda contra o petista no painel de notícias do Windows. Segundo apuração do Intercept Brasil, os conteúdos foram produzidos pelo parceiro 111Next, vinculado à Jetss, empresa que tem entre seus sócios um candidato derrotado a deputado federal pelo PL em 2022.

A Jetss Comunicação Ltda. está em nome de Mauro e Graziela Alves Souza. Mauro concorreu pelo Rio de Janeiro com o slogan “Eu, você e Bolsonaro no combate a corrupção”, mas não se elegeu e não voltou a disputar neste ano. Sua filha, Camila Alves Souza, apresenta-se como fundadora do 111Next e dirige a Jetss.com Inc., registrada em Miami, nos Estados Unidos.

Uma das publicações reciclava uma reportagem da Record de 2019 para associar Lula ao assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, ocorrido em 2002. A acusação nunca foi comprovada: o publicitário Marcos Valério relatou informações que disse ter ouvido de terceiros, sem apresentar provas. Lula nunca foi indiciado, denunciado ou julgado como mandante do homicídio.

Outro conteúdo usava montagens para sugerir que Caetano Veloso e Djavan receberam R$ 4,3 milhões e R$ 4,1 milhões, respectivamente, para participar do Ato Musical pela Democracia, realizado no domingo (18), em Copacabana. O próprio texto, porém, reconhecia que os valores eram de projetos culturais sem relação com a manifestação e que não havia registro de financiamento público do evento.

Cartaz publicado na galeria de imagens do site 111Next mente que Caetano Veloso teria recebido R$ 4,3 milhões da Lei Rouanet para participar de ato em Copacabana. Foto: Reprodução/Intercept
Cartaz publicado na galeria de imagens do site 111Next mente que Caetano Veloso teria recebido R$ 4,3 milhões da Lei Rouanet para participar de ato em Copacabana. Foto: Reprodução/Intercept

Uma captura de tela mostra ainda a peça “13 motivos para não votar no Lula” em destaque no painel de notícias do Windows. A publicação misturava opiniões com informações desatualizadas e descontextualizadas. O site também oferecia um tutorial para rebater acusações de que Flávio Bolsonaro (PL) representaria uma ameaça à democracia.

O canal do 111Next no MSN reunia quase 100 mil seguidores, número que não permite determinar o alcance das publicações. Os materiais podiam ser recomendados no Windows e em outros produtos da Microsoft, que afirma personalizar a distribuição com inteligência artificial.

Procurada na sexta-feira (16), a Microsoft disse que analisava os conteúdos e que suas políticas preveem a remoção de publicações e o encerramento de contratos por violações. Posteriormente, informou ter retirado materiais apontados na apuração, incluindo a desinformação sobre Celso Daniel e a lista de motivos para não votar no PT. A empresa afirmou combinar sistemas automatizados e revisão humana para detectar conteúdo enganoso. A Jetss e os responsáveis citados não responderam até a publicação da reportagem.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!