Mídia europeia diz que Bolsonaro vai na contramão de Forum Econômico Mundial: “Todos sabem que ele é ‘climatocético'”

Bolsonaro fala em Davos

POR WILLY DELVALLE, de Paris

Na edição do Fórum Econômico Mundial em que as mudanças climáticas serão uma das principais questões, a imprensa europeia anuncia que Bolsonaro é uma das principais atrações, mas na contramão do evento.

O Diário de Notícias, de Portugal, destaca os protestos em Davos contra a presença do novo presidente brasileiro. Diz que suas políticas ambientais e de migrações, outro dos grandes temas a ser debatido, vão ser um verdadeiro “teste” para Bolsonaro.

“Os espinhos chegam das áreas do ambiente e das migrações, em que Bolsonaro parece estar na contramão dos discursos dos demais líderes globais (Trump excluído)”.

Segundo a publicação, “a saída recente do Pacto Global para a Migração e a ameaça de abandono do Acordo de Paris são, portanto, pedras no sapato de Bolsonaro”. O Diário de Notícias observa também que será a primeira vez em três anos que um vice-presidente assumirá o comando do Estado, já que Temer não tinha vice.

O jornal menciona os casos de corrupção que o presidente interino terá de gerir: “Ao general Hamilton Mourão cabe nesse período gerir o caso conhecido como Bolsogate ou Coafgate, envolvendo um suposto esquema de corrupção de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente. Para Mourão, o caso não atinge o governo”.

A imprensa europeia diz que, a exceção de Angela Merkel, rumo à sua aposentadoria política, o evento carece de grandes líderes. Para o Le Figaro, principal jornal conservador da França, o destaque da edição não é Bolsonaro, mas as ausências, referência a Trump, Macron e May, que faltarão à edição em meio às crises políticas que vivem em seus respectivos países.

O Le Figaro só cita Bolsonaro no final de uma reportagem para dizer que “o novato do bruto 2019 é hostil ao acordo de Paris sobre o clima e desconfia do multilateralismo, como Donald Trump, que ele diz admirar”.

A agência de notícias francesa AFP destaca o mesmo problema: “o percurso de Bolsonaro não o destina a ser um fervente adepto do mantra da cooperação transnacional do Fórum Econômico mundial, constata Douglas Rediker, presidente do International Capital Strategies”.

Parece até ironia, mas o site do Fórum diz que uma das grandes problemáticas a debater este ano será a “legítima frustração sobre o fracasso da globalização em aumentar o nível de vida das populações conduzindo ao populismo e ao nacionalismo”.

A revista francesa L’OBS, uma das principais do país, prevê tensão na passagem de Bolsonaro: “Ele enfrentará uma assembleia adepta à causa do livre comércio e cuja principal preocupação é o aquecimento global, sinônimo de desastres humanos mas também de grandes prejuízos econômicos, segundo uma pesquisa realizada pelos organizadores”.

O The Telegraph, de Londres, aponta a mesma preocupação: “todo mundo sabe que Bolsonaro é cético ao aquecimento global. Essa deve ser a chave para uma recepção menos calorosa. Uma pesquisa conduzida pelo Fórum descobriu que as mudanças climáticas são a maior ameaça à economia global. Sir David Attenborough, que recebeu um prêmio por seus engajamentos ambientais, disse aos delegados: ‘Não há mais Jardim do Éden”.

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