Mais de 37 mil imigrantes retornam ao Marrocos após cruzarem a fronteira

Atualizado em 31 de julho de 2026 às 13:31
Milhares de imigrantes marroquinos dirigiram-se à fronteira entre Castillejos (Marrocos) e Ceuta (Espanha). Foto: Divulgação

Mais de 37 mil imigrantes retornaram a Marrocos depois de entrar de forma irregular em Ceuta, cidade autônoma espanhola no norte da África. O fluxo de volta ocorre após cerca de 50 mil pessoas cruzarem a fronteira, em uma crise que já deixou ao menos 24 mortos, segundo autoridades espanholas.

As saídas acontecem em ritmo acelerado, com centenas de pessoas deixando Ceuta em poucos minutos. A maior parte do grupo é formada por jovens que passaram a noite ao relento e desistiram de permanecer na Espanha ao concluir que não conseguiriam regularizar a situação.

Muitos imigrantes decidiram voltar por conta própria, sem aguardar uma ação oficial. Parte das pessoas que tentou chegar a Ceuta se concentrou em Fnideq, também conhecida como Castillejos, no lado marroquino da fronteira.

Exaustos e com roupas molhadas, eles buscam ônibus, caminhões, táxis compartilhados e carros particulares para viajar até Tânger e, de lá, seguir para suas cidades de origem.

Apesar dos retornos, grupos ainda tentam entrar em Ceuta pela costa e pelo quebra-mar, inclusive a nado. A agência EFE relatou que forças marroquinas não impediram parte dessas travessias.

Confrontos continuaram em áreas próximas à estrada que leva a Ceuta e dificultaram o acesso à fronteira. A polícia marroquina usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar grupos de jovens.

A região amanheceu com pedras espalhadas, veículos incendiados e lixo nas ruas. Em Castillejos, comerciantes mantiveram estabelecimentos fechados diante do temor de vandalismo. “Estamos mantendo nossos comércios fechados por medo de vandalismo e violência que possam surgir devido à tensão”, disse um lojista do centro da cidade à EFE.

Um jovem de 25 anos, morador de Tetuão, relatou frustração ao deixar a região. “Não há nada para fazermos aqui, tanta coisa para fazer sem propósito”, afirmou à agência.

O reforço da Guarda Civil e de militares espanhóis reduziu as novas entradas em relação ao pico registrado na quinta-feira. A dimensão do episódio pode superar a crise de 2021, quando 10 mil pessoas entraram em Ceuta.

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