
O governo do presidente argentino Javier Milei cortou programas de atendimento a pessoas com deficiência, alegando a necessidade de reduzir desperdícios e reformar a burocracia estatal. A medida, formalizada em 18 de abril, congelou repasses financeiros para organizações que prestam serviços terapêuticos e educacionais em todo o país.
Em resposta à suspensão dos pagamentos, a Justiça argentina determinou prazo de 72 horas para o restabelecimento dos repasses. O governo recorreu da decisão, mantendo a paralisação das verbas, o que afetou diretamente o funcionamento das entidades prestadoras de serviços.
A falta de recursos financeiros fez com que diversas organizações enfrentassem dívidas crescentes e, para reduzir custos, cortassem funcionários e diminuíssem o atendimento. Cerca de 50 centros terapêuticos fecharam suas portas em 2026, especialmente em áreas rurais, segundo reportagem da agência Associated Press.
O governo justificou os cortes como parte de uma reforma administrativa para eliminar gastos considerados “desnecessários” e assegurar superávit orçamentário destinado ao pagamento de juros da dívida pública. Também foram citadas supostas fraudes em cadastros de benefícios, com pessoas que falsificariam exames médicos para receber ajuda financeira indevida.

Entidades de direitos humanos contestaram as acusações e afirmaram que o governo não promove uma reforma séria, mas sim esvazia o sistema de atendimento. Famílias de pessoas com deficiência relataram sobrecarga física e financeira, além da redução da participação em programas essenciais para atividades terapêuticas e educativas.
A paralisação dos serviços afetou o transporte adaptado gratuito oferecido por algumas instituições, reduzindo a frequência de atendimento em cerca de 30% entre os usuários. Casos individuais, como o de Analía Celis, com paralisia cerebral, mostram que a interrupção dos programas comprometeu sua participação em terapias esportivas e artísticas, causando isolamento e crises de agitação.
As organizações enfrentam incertezas quanto ao futuro, com receio de fechamento definitivo. Frequentadores e familiares expressam preocupação com a continuidade dos serviços, que são essenciais para a rotina e desenvolvimento das pessoas atendidas.
O governo de Milei afirmou que as medidas visam melhorar a eficiência do sistema e combater desperdícios administrativos, mas especialistas e defensores dos direitos humanos reforçam que os cortes têm impacto direto na vida de milhares de pessoas, colocando em risco acesso a serviços básicos e aumentando desigualdade social.