
O presidente da Argentina, Javier Milei, manteve-se até esta terça (27) como o único líder sul-americano que não reconheceu publicamente a vitória de Lula (PT) nas eleições presidenciais brasileiras. Governantes de diferentes correntes políticas da região, inclusive aliados da direita, já enviaram mensagens ao presidente reeleito.
O silêncio ocorre apesar da importância comercial entre os dois países. Em 2025, o Brasil liderou as exportações argentinas, com mais de US$ 12,8 bilhões em vendas, e respondeu por US$ 18,4 bilhões das importações do país vizinho, em uma relação marcada pela integração industrial no Mercosul.
O colombiano Abelardo de La Espriella, eleito com apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não ter afinidade ideológica com Lula, mas defendeu a manutenção da cooperação bilateral. O equatoriano Daniel Noboa citou os desafios comuns da América Latina ao cumprimentar o brasileiro.
O chileno José Antonio Kast afirmou ter telefonado para Lula e destacou o futuro compartilhado das nações. Keiko Fujimori, do Peru, pediu o fortalecimento da aliança estratégica em torno do desenvolvimento sustentável da Amazônia, enquanto o boliviano Rodrigo Paz ressaltou os laços históricos entre os países.

Aliados regionais de Milei também cumprimentaram Lula
Yamandú Orsi, do Uruguai; Delcy Rodríguez, da Venezuela; Santiago Peña, do Paraguai; Irfaan Ali, da Guiana; e Jennifer Geerlings-Simons, do Suriname, também formalizaram felicitações a Lula. Parte desses governantes integra o Escudo das Américas, aliança multinacional liderada pelos Estados Unidos contra o crime organizado e o narcotráfico.
Milei havia apoiado abertamente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro durante a disputa eleitoral brasileira. Às vésperas da votação, o presidente argentino atacou nas redes sociais o adversário do parlamentar, a quem chamou de “ladrão corrupto” e acusou de cometer irregularidades na campanha.
Em agosto, na convenção do PL em São Paulo, Milei voltou a atacar Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, usando as expressões “presidiário” e “lixo careca”. Em entrevista à emissora LN+, ao responder sobre o tom de suas falas, disse: “Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”.
Após os ataques, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador argentino em Brasília e chamou o representante brasileiro em Buenos Aires para consultas. A diplomacia classificou o episódio como “sem precedentes”, e o chanceler Mauro Vieira o considerou grave, sem defender uma ruptura das relações; Lula chamou a participação de Milei no evento do PL de “patacoada”.