Milei foi cúmplice na fuga de Flávio Bolsonaro, revela aliado de Trump

Atualizado em 27 de outubro de 2026 às 21:55
Javier Milei Flávio Bolsonaro
O presidente argentino Javier MIlei, e o candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Divulgação/Vittor Sales

O presidente da Argentina, Javier Milei, teria participado da coordenação da saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos, segundo o empresário e advogado mexicano Simón Levy. Em entrevista à emissora argentina A24, o autor do relato sobre a suposta “Operação Alba” afirmou que Milei sabia da movimentação e colaborou com ela. O governo argentino nega ter ajudado o senador.

Questionado sobre o conhecimento prévio das autoridades argentinas, Levy respondeu: “Sim. O único que estava a par disso é o presidente Milei”. Na sequência, atribuiu ao mandatário participação na organização: “Ele tem estado e esteve em parte da coordenação de toda essa operação”, declarou, em tradução do espanhol.

Levy também afirmou que, “graças ao presidente Milei, hoje Flávio está vivo”. Mais adiante, repetiu que o argentino seria uma peça fundamental para preservar a vida do senador. No trecho da entrevista, ele não identificou uma ameaça concreta contra Flávio Bolsonaro nem apresentou elementos que sustentassem essa alegação.

Um dos apresentadores ressaltou que o relato ainda dependia de confirmação oficial e classificou a informação como bombástica para a Argentina. Levy respondeu que a atuação descrita por ele poderia se tornar pública nos dias seguintes. Ao final da participação, disse que preferia esperar por uma entrevista coletiva oficial e que não poderia fornecer mais detalhes.

Na versão do empresário, a operação seria conduzida pelos Estados Unidos e envolveria uma aeronave com matrícula estadunidense. Ele não informou o código de registro do avião no trecho exibido. Também comparou a movimentação a uma operação envolvendo María Corina, sem explicar no recorte os detalhes da comparação.

Levy é o responsável por divulgar nas redes sociais a expressão “Operação Alba”. Em publicações anteriores à entrevista, atribuiu ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a articulação para levar Flávio Bolsonaro ao país e afirmou que o senador passaria a liderar a oposição a Lula a partir do território estadunidense. Segundo a Agência Brasil, o empresário se apresenta como próximo de Donald Trump e do movimento MAGA; as postagens não equivalem a um anúncio oficial do governo dos EUA.

A versão sobre a colaboração de Milei contrasta com a resposta da Casa Rosada. Fontes do governo argentino disseram ao jornal La Nación que não tiveram participação na saída: “Não temos nada a ver”. A administração também negou ter registro da entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina e informou que a fiscalização de uma aeronave em Puerto Iguazú não encontrou plano de voo que incluísse integrantes da família Bolsonaro.

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos já havia sido relatada por aliados do senador e por uma autoridade estadunidense A participação atribuída a Milei por Levy, porém, permanece sem confirmação independente. O governo argentino negou ter registro da entrada do parlamentar, e a PF não identificou sua saída por postos regulares de migração.

A saída foi noticiada depois que Flávio Bolsonaro descumpriu o prazo para entregar os passaportes à Polícia Federal. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retenção dos documentos e proibiu o senador de deixar o país no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades. Na véspera, o parlamentar havia afirmado que permaneceria no Brasil.

Embora se apresente como próximo de Trump, Levy não fala oficialmente pelo governo dos Estados Unidos. Sua atuação nas redes também inclui alegações contestadas: em junho de 2025, a embaixada estadunidense no México classificou como falsa uma lista divulgada por ele sobre supostas ordens de prisão contra políticos mexicanos. O episódio foi relembrado pelo Metrópoles ao examinar a origem das afirmações sobre a “Operação Alba”.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!