“Milei paraguaio” é vaiado e carregado para fora de protesto em Assunção

Atualizado em 7 de novembro de 2026 às 16:20
Payo Cubas Milei paraguaio
Payo Cubas, conhecido como o “Milei paraguio” foi carregado para fora de ato por manifestantes. Foto: Reprodução e Norberto Duarte/AFP

O ex-candidato à Presidência do Paraguai Paraguayo “Payo” Cubas, conhecido como “Milei paraguaio”, foi vaiado e retirado por manifestantes de um protesto no centro de Assunção durante a crise política provocada pelo colapso do Ueno Bank. Ao tentar se juntar à mobilização, o político foi confrontado por jovens que o responsabilizaram pela chegada de parlamentares controversos ao Congresso.

A cobrança foi registrada pelo jornal paraguaio El Nacional, em reportagem de quinta-feira (5). Os participantes citaram Javier “Chaqueñito” Vera e Zenaida Delgado, eleitos por meio da legenda Cruzada Nacional, ligada ao ex-presidenciável. Ambos passaram a enfrentar controvérsias políticas depois de conquistar os mandatos. As críticas dos manifestantes se concentraram na responsabilidade de Cubas pela composição das listas eleitorais de seu grupo.

A reação contrariou a imagem antissistema que marcou a trajetória de Payo Cubas. Na eleição de 2023, ele ficou em terceiro lugar na disputa pela Presidência, apresentando-se como adversário dos partidos tradicionais. Seu discurso confrontador levou a comparações com o presidente argentino Javier Milei, embora os dois tenham carreiras e contextos políticos distintos.

A manifestação ocorreu enquanto o Paraguai enfrentava protestos contra a intervenção e o colapso do Ueno Bank, instituição que atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes. A crise bancária atingiu o governo de Santiago Peña, ex-investidor da holding vinculada à instituição, e desencadeou uma sequência de pressões políticas e apurações sobre possíveis irregularidades. As suspeitas envolvendo autoridades ainda dependem de investigação e julgamento.

Peña sofreu impeachment na sexta-feira (6) e passou a cumprir medidas judiciais relacionadas ao caso. Na madrugada deste sábado (7), o ex-presidente foi transferido da prisão domiciliar para uma instalação militar em Assunção, após protestos perto de sua residência. Pedro Alliana assumiu a Presidência. Esses desdobramentos ampliaram a tensão nas ruas e as cobranças dirigidas a representantes de diferentes grupos políticos.

O episódio com Payo Cubas mostra que a indignação não ficou restrita ao partido do presidente destituído. Mesmo um político que construiu sua carreira atacando o sistema foi questionado por decisões eleitorais anteriores. Não há indicação de que tenha sido preso no protesto: os relatos descrevem hostilidade, vaias e sua retirada do local por manifestantes.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!