Milícia bolsonarista distorce fala de Mourão para tentar atraí-lo para ato golpista. Por Joaquim de Carvalho

A milícia digital bolsonarista está organizando para o dia 19, domingo, manifestações em frente aos quartéis. Para tentar turbinar o evento, as novas vivandeiras têm se valido, como de hábito, a fake news.

A mais expressiva dessas notícias falsas é um vídeo em que o vice-presidente Hamilton Mourão aparece como apoiador do evento.

“É mentira”, disse a assessoria de Mourão ao DCM.

O vídeo divulgado é de depoimento do Mourão durante a campanha de 2018.

“Nesse momento em que todos os brasileiros de bem vêm se dando as mãos, se unindo, nesta luta comum na busca de um país melhor, na busca de que tenhamos um projeto para o nosso país, um projeto onde o comunismo ateu não entre mais nas nossas casas, onde exista livre mercado, onde haja incentivo à liberdade, onde a educação seja um valor maior e, principalmente, palavras e valores como honra, dever e pátria sejam um norte para todos nós, somos todos Bolsonaro”, diz Mourão.

Ele gravou o vídeo para os grupos de WhatsApp que apoiavam a chapa dele e Bolsonaro nas eleições presidenciais.

A assessoria informou que esse vídeo está sendo divulgado fora de contexto.

“Ele não foi consultado, nem autorizou”, acrescentou a assessoria.

Os bolsonaristas não têm limites para sua campanha por intervenção militar, o que só aconteceria se as Forças Armadas dessem um golpe de estado.

O Brasil tem hoje um governo tutelado por militares, situação que se consolidou com a nomeação do general da ativa Braga Netto para a chefia da Casa Civil.

Conforme revelou o jornalista argentino Horacio Verbitsky em comentário para uma rádio de Buenos Aires, Braga Netto se encontra lá para colocar limites no bolsonarismo.

Segundo Verbitsky, um general que ocupa “cargo altíssimo na hierarquia do Exército brasileiro” disse a um homólogo argentino que Braga Netto tem como missão impedir que os filhos de Bolsonaro concretizem o plano de fortalecer as milícias como força armada de Bolsonaro.

O general, que teria acumulado experiência contra as milícias cariocas durante o período em que foi interventor na área de segurança do Rio de Janeiro, teria se tornado uma espécie de “presidente operacional”.

Bolsonaro aproveitou um erro estratégico de Luiz Henrique Mandetta para retomar um pouco do poder perdido e promover a troca no comando do Ministério da Saúde.

O erro teria sido a entrevista ao Fantástico, domingo passado, em que ele expôs sua divergência com Bolsonaro. Segundo ele, o povo brasileiro ”não sabe se escuta o ministro da saúde, [ou] se escuta o presidente”.

Seguindo orientação da Organização Mundial de Saúde, Mandetta defendia o isolamento social como única alternativa no momento atual para evitar o colapso do sistema de saúde.

Mourão já disse que a posição do governo era a do “isolamento”.

As milícias bolsonaristas querem colocar Mourão na lama (ou na cova) que Bolsonaro prepara para o Brasil.

É preciso ver até que ponto o vice-presidente está comprometido com esse projeto insano.

Negando publicamente apoio às vivandeiras, Mourão dá um passo importante. Mas é pouco. O vice-presidente precisa também fazer correção do rumo que expôs durante a campanha.

Comunismo ateu é uma ameaça inexistente, assim como o golpe de 64, com a posse do marechal Castello Branco, nunca teve nada a ver com democracia, como Mourão afirmou em tuíte postado no último 31 de março.

Durante a campanha, em entrevista à Globonews, Mourão também defendeu uma espécie de autogolpe. Uma ameaça que guarda paralelo com os intervencionistas de hoje.

Mourão, se quiser ter respeito mínimo da sociedade brasileira, precisa se afastar dessas propostas de violência institucional.

 

 

 

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