Militante do gabinete do ódio é “abençoado” por igreja: eleição revela pecaminosa relação entre pastores e políticos

Militante do gabinete, Edson Salomão é “abençoado” pelo pastor Jonas Neves

Por Daniel Trevisan

As eleições municipais deste ano em São Paulo revelou uma intimidade entre igrejas evangélicas e o gabinete do ódio criado em benefício de Jair Bolsonaro.

O exemplo mais recente é da Igreja Batista do Povo, na Vila Mariana, bairro de classe média em São Paulo.

Édson Salomão, que foi alvo de dois mandados de busca e apreensão no inquérito das fake news aberto no STF, tem o apoio da igreja, conforme vídeo em que ele aparece sendo “abençoado” pelo líder da igreja, Jonas Neves.

Édson Salomão foi chefe de gabinete do deputado estadual em São Paulo Douglas Garcia, apontado pela investigação na suprema corte como um dos expoentes do gabinete do ódio bolsonarista.

Recebia mais de R$ 24 mil por mês e só deixou o cargo em agosto, para disputar uma vaga na Câmara Municipal pelo PRTB, o partido do vice Hamilton Mourão.

Ele era do Movimento Direita São Paulo, renomeado Movimento Conservador, denunciado pelo deputado Alexandre Frota como uma entidade que usa recursos e instalações da Assembleia Legislativa para disseminar mentiras e manifestações de ódio.

Ex-bolsonarista e hoje no PSDB, Frota já foi amigo de todo esse povo.

O apoio da igreja evangélica pode ser visto, em princípio, como natural diante de princípios conservadores invocados por pastores fundamentalistas, como se fosse em defesa do rebanho.

Só que não.

Em eleições passadas, a mesma Igreja Batista do Povo apoiava o Davi Soares, filho de RR Soares, para a Câmara Municipal de São Paulo.

Mais tarde, descobriu-se que o genro do pastor Jonas Neves, o cantor gospel Samuel Mizrahy, estava na folha de pagamento no vereador, com salário que hoje equivale a mais de R$ 15 mil.

O problema é que o cidadão raramente era visto na Câmara Municipal.

Enquanto pregam sob a cruz de Cristo e a bandeira de Israel, pastores fundamentalistas se beneficiam da estrutura e de recursos públicos.

E o caso da Igreja de Vila Mariana está longe de ser único em que o poder religioso se mistura ao secular — não raras vezes, se encontram provas de benefícios materiais, como no caso do cantor Mizrahy.

RR Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, saiu em defesa da candidatura de Marcelo Crivella, que disputa a reeleição no Rio de Janeiro e é recordista de rejeição.

Ao se dirigir ao rebanho, ele pediu apoio a Crivella e, curiosamente, pediu perdão por fazer essa defesa.

“Para prefeito, me perdoe aqui. Mas eu tenho que falar do Crivella. Não vá nessa conversa da mídia não”, disse.

Em acrescentou:

“Não dá, não há outro igual, né? Não vá nessa conversa da mídia, não, que eles estão fazendo tudo para subverter aquilo que o povo já escolheu. Posso contar com você, com seus amigos?”

Se investigar, vai ver que a relação não tem nada a ver com princípio bíblicos, mas com uma associação com o poder que controla recursos públicos.

É um banquete no qual o fiel não participa, mas os pastores se refestelam, como na passagem do livro de Samuel, capítulo 2, que narra as vantagens que o pastor Eli garantia a seus filhos, ficando com a maior parte das ofertas.

Isso 1500 anos antes de Cristo.

No caso bíblico, Deus se irritou e Eli morreu ao cair da cadeira e quebrar o pescoço. Ele havia recebido a notícia de que soldados de outra nação haviam matado seus filhos e roubado a arca da aliança.

Eli tinha 98 anos de idade. Demorou, mas se fez justiça, pelo que entendem os estudiosos da Bíblia.

Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares chegando para almoço com o presidente Jair Bolsonaro e a Secretária Nacional de Cutura. Sérgio Lima/Poder360 06.05.2020

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