Militar acusado de estuprar menina de 12 anos é solto mesmo depois de comprovação pericial

Atualizado em 29 de dezembro de 2020 às 15:08
Crédito: Getty Images/iStockphoto

Publicado no site Brasil de Fato 

O juiz plantonista Antônio Menezes, do Amapá, concedeu liberdade provisória ao bombeiro militar Josué Rodrigues Lima, suspeito de estuprar a sobrinha de 12 anos na noite de Natal (24) em Santana, a 17 km de Macapá (AP). O exame pericial constatou que houve sexo anal, e o acusado não negou ter cometido o crime, permanecendo calado durante toda a audiência de custódia, realizada no último sábado (26).

Esclarecimento

O Brasil de Fato não costuma noticiar ou repercutir crimes hediondos como esse, que ocupam tradicionalmente as páginas do noticiário policial sensacionalista, ainda mais quando não há condenação definitiva dos suspeitos.

A publicação desta notícia, especificamente, justifica-se pela gravidade e ausência de repercussão nacional do caso, que pode terminar sem a devida responsabilização em razão da posição ocupada pelo acusado.

Esposa do suspeito testemunhou o crime

Segundo informações repassadas à imprensa pelo delegado Felipe Rodrigues, da 1ª DP de Santana, a mãe da vítima contou que a filha foi deixada na casa de uma prima, casada com o militar, logo após a ceia de Natal.

O crime ocorreu por volta da 1h da madrugada do dia 25, e a esposa de Lima teria flagrado o crime e insistido, na manhã seguinte, para a criança ficar calada.

O delegado relatou que a vítima voltou para casa ao meio-dia. Seis horas depois, o suspeito foi até a casa da vítima, alegando que havia brigado com a esposa e precisava de um lugar para dormir. A mãe da vítima estranhou a situação, observou mensagens do casal no celular da filha e perguntou a ela o que tinha acontecido. A criança confirmou as suspeitas de estupro, comprovadas em seguida pela perícia.

Josué Rodrigues Lima foi detido no Corpo de Bombeiros Militar (CBM) até a audiência de custódia.

O argumento do juiz Antônio Menezes para conceder a liberdade é o fato de o militar não ter histórico de acusações semelhantes, possuir endereço fixo e ocupação lícita, e de não haver elementos que indiquem que o suspeito interferirá no curso das investigações. O plantonista afirmou ainda que os indícios de autoria, até o momento, foram extraídos apenas de “declarações testemunhais”.

Lima está proibido de ter contato com a vítima e deverá manter uma distância de ao menos 100 metros dela.

O CBM do Amapá anunciou a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o ocorrido.