
Um grupo formado por militares da reserva, civis ligados à comunidade naval e apoiadores iniciou um abaixo-assinado nas redes sociais e aplicativos de mensagem em apoio ao ex-comandante da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos. As informações são da revista Sociedade Militar.
O militar foi condenado por tentativa de golpe de Estado e cumpre pena após decisão judicial. A campanha pretende reunir três mil assinaturas para compor um memorial a ser entregue ao Superior Tribunal Militar (STM), onde tramita o processo que pode resultar na perda de seu posto e patente.
Mensagens que circulam entre militares indicam que 2.881 assinaturas já teriam sido coletadas, restando pouco mais de uma centena para atingir a meta estabelecida pelos organizadores. O documento apresenta Garnier como um oficial cuja trajetória profissional está ligada à Marinha do Brasil desde a juventude. O texto utilizado para coleta de assinaturas afirma que o almirante representa “a essência do marinheiro que construiu sua carreira com rigor técnico e mérito”.
O memorial menciona que Garnier iniciou sua relação com a instituição ainda aos 10 anos de idade, como aluno da Escola Industrial Comandante Zenethilde Magno de Carvalho, vinculada ao Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. O documento enviado aos apoiadores afirma: “O Almirante Garnier personifica a essência do marinheiro que construiu sua carreira com rigor técnico e mérito. Sua história com a Marinha do Brasil iniciou-se precocemente, aos 10 anos de idade…”.
No texto, os signatários descrevem uma trajetória que inclui passagem pelo Arsenal de Marinha como técnico em estruturas navais antes da formação na Escola Naval, onde Garnier teria sido o primeiro colocado do Corpo da Armada em sua turma. O memorial afirma que o militar acumulou mais de cinco décadas de serviço e sustenta que a eventual perda do posto e da patente ignoraria essa trajetória profissional.

A mobilização inclui também uma organização logística para entrega do documento ao STM, em Brasília. Em mensagem compartilhada em grupos de militares no WhatsApp, um dos organizadores afirma que pretende levar pessoalmente o memorial ao tribunal, acompanhado por outros oficiais formados na Escola Naval que residem no Distrito Federal. Para viabilizar a viagem, apoiadores iniciaram uma arrecadação voluntária.
Segundo a mensagem, o custo estimado para deslocamento entre Rio de Janeiro e Brasília seria de cerca de R$ 1.800. O organizador disponibilizou uma chave PIX para contribuições e afirmou que os valores seriam administrados com transparência. A conta indicada pertence a um oficial superior da reserva da Marinha, colega de turma de Garnier.
Entre apoiadores, também são mencionados episódios do período em que Garnier comandou a Marinha. Um deles foi a decisão de não realizar a tradicional cerimônia de passagem de comando para seu sucessor, prática usual na instituição. Na ocasião, a Marinha realizou a transição administrativa sem a presença do comandante que deixava o cargo.
Almir Garnier foi condenado em setembro de 2025 pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a 24 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Em novembro do mesmo ano, iniciou o cumprimento da pena na Estação de Rádio da Marinha, no Distrito Federal. Paralelamente à condenação criminal, tramita no STM uma representação que pode resultar na perda do posto e da patente.
O Ministério Público Militar solicitou que o tribunal declare o almirante indigno do oficialato. A defesa sustenta que a condenação criminal não implica automaticamente a perda da patente e afirma que o STM deve realizar uma avaliação própria sobre a conduta do militar. O julgamento definirá se o ex-comandante manterá ou não suas prerrogativas militares.
