Militares mantiveram Trump fora de operação contra Irã por “decisões impulsivas” e “vazamentos”

Atualizado em 19 de abril de 2026 às 20:49
Donald Trump

Uma reportagem do Wall Street Journal aponta que assessores militares dos Estados Unidos evitaram a participação direta de Donald Trump em operação de alto risco ligada à guerra com o Irã por receio de decisões impulsivas e vazamentos de informação.

Segundo o WSJ, o presidente foi mantido fora da chamada Situation Room enquanto a missão era conduzida, recebendo apenas atualizações pontuais.

O episódio ocorreu após a derrubada de um avião norte-americano em território iraniano, com dois pilotos desaparecidos. Trump pressionou por uma resposta imediata, exigindo que as Forças Armadas atuassem rapidamente para resgatar os tripulantes.

Nos bastidores, no entanto, assistentes optaram por limitar seu acesso às informações em tempo real, avaliando que sua impaciência poderia comprometer a operação.

A operação de resgate foi considerada de alto risco, envolvendo entrada em território hostil e necessidade de evitar confronto direto com forças iranianas. Um dos pilotos foi localizado rapidamente, enquanto o segundo só foi resgatado horas depois, em uma ação descrita como delicada e decisiva para evitar uma escalada maior no conflito.

A reportagem também descreve um padrão errático de comportamento do presidente durante o conflito, alternando entre ameaças públicas e tentativas de negociação. Em uma publicação nas redes sociais, Trump chegou a ameaçar destruir a “civilização iraniana”, em mensagem que, segundo assessores, não fazia parte de um plano formal de segurança nacional.

Integrantes do governo consideravam que o estilo de liderança de Trump, marcado por decisões improvisadas e declarações contraditórias, aumentava o risco de erros estratégicos. Em alguns momentos, ele demonstrava preocupação com baixas militares e recuava de operações terrestres mais amplas, temendo perdas elevadas entre tropas norte-americanas.

O texto também aponta que o presidente buscava utilizar a imprevisibilidade como estratégia, acreditando que isso poderia pressionar o Irã a negociar. Ainda assim, essa abordagem gerou apreensão entre aliados e dentro do próprio governo, especialmente diante da possibilidade de escalada militar em uma região sensível.

Trump ameaça acabar com “toda uma civilização” em sua rede social

A condução da guerra teve impacto direto no cenário político e econômico. O fechamento do Estreito de Ormuz afetou o fornecimento global de petróleo, enquanto o aumento dos preços de combustíveis gerou preocupação no mercado e entre aliados internacionais.

Paralelamente, países europeus resistiram a apoiar a campanha militar, o que ampliou o isolamento dos Estados Unidos em parte das decisões.

A reportagem também destaca episódios em que Trump desviava o foco para temas paralelos, como eventos políticos, criptomoedas e arrecadação de campanha, mesmo durante momentos críticos da guerra. Assessores diretos relataram preocupação com a falta de consistência na condução do conflito e com a ausência de planejamento detalhado para o desfecho da operação.

Durante um evento na Casa Branca, Trump chegou a cogitar conceder a si mesmo uma Medalha de Honra, a mais alta condecoração militar dos Estados Unidos, destinada a atos de bravura em combate.

Segundo pessoas presentes, ele justificou a ideia ao relembrar um voo em sua primeira gestão, quando aterrissou em uma pista sem iluminação no Iraque. A proposta não avançou após objeção de assessores jurídicos, que impediram qualquer medida nesse sentido.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.