“Minha doença é não abandonar a cannabis”, diz atriz que fez carreira na Globo

Maria Gladys (Foto: Leo Lara/Universo Produção)

Do UOL

A falastrona faxineira Lucimar é uma figura onipresente nos núcleos de “Vale Tudo”, o clássico da teledramaturgia brasileira, em sua segunda reprise no Viva. Sua intérprete, Maria Gladys, 78, tem personalidade semelhante, fala o que lhe vem a cabeça, sem medo.

Reclusa na zona rural da pequena Santa Rita de Jacutinga (MG), ela já foi muito “vida louca”: musa do cinema marginal nos anos 1970, se exilou em Londres, onde foi hippie, e “abriu a mente” com drogas psicodélicas.

“Moro aqui há cinco anos, no mato, num vale coberto de montanhas. É muito lindo. Mas, para uma pessoa boêmia e urbana como eu, bebedora de chope, me faz falta o Rio. A verdade é que a vida boêmia mudou muito”, disse Maria Gladys por telefone  ao UOL, enquanto degustava uma cerveja do outro lado da linha. “Cerveja é ótimo!”

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Na Globo, após “Vale Tudo”, a atriz fez pelo menos mais 26 trabalhos, entre novelas e séries. Alguns deles também como empregada, como Neném em “Salsa e Merengue” (1996) e na série “A Vida Alheia” (2010). Em “As Noivas de Copacabana” (1992), também como doméstica, ela foi uma das mulheres assassinadas pelo protagonista. Seu último papel na TV foi em “Pé na Cova”, como Dra. Elisabete Tazcanha.

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Quando se mudou para Londres, por conta da perseguição sofrida pela classe artística, viveu uma vida mais de farra do que de privações. Lá ela conviveu com seus já amigos cineastas Júlio Bressane, Rogério Sganzerla, Neville D’Almeida, conheceu a turma dos baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outras experiências.

“Vivia em festivais. Não bebia porque eu era hippie e, nessa época, hippie não bebia. Tomava ácido, me abriu a cabeça, revelou muitas coisas. Têm pessoas que piraram, era perigoso. Ainda bem que eu não pirei, se é que é verdade que eu não tenha pirado”, disse, aos risos.

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Apesar dos excessos, Maria Gladys diz ter uma boa saúde para a idade que tem graças a uma alimentação equilibrada.

“Tenho saúde ótima. Sou macrobiótica, não como coisas que fazem mal. Procuro me alimentar de produtos orgânicos, como arroz integral há 40 anos. Agora mesmo vou fazer uma galinha com quiabo para mim”, contou ela, garantindo que apesar dos cuidados com a comida, não é radical e muito menos careta.

“Se vou comer em algum lugar, escolho a opção mais saudável. Mas não sou careta. Nada contra quem é. Tenho uma amiga que fala que é careta, não bebe, nunca fumou maconha, mas não precisa porque é ótima. Eu preciso botar alguma coisa para a cabeça. Tomo todo dia uma cerveja, mas sem excesso. Vê o alcoólatra, que é doente. Não tenho essa doença. Minha doença é não abandonar a cannabis. Isso só me faz bem”, afirmou a atriz.

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