
O Ministério da Justiça encaminhou à Polícia Federal o pedido da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) para que sejam apuradas publicações do senador Flávio Bolsonaro (PL) que associam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao venezuelano Nicolás Maduro. O envio ocorreu nos últimos dias da gestão de Ricardo Lewandowski à frente da pasta.
Na representação, a deputada aponta possível prática de crimes contra a honra de Lula ao citar uma postagem em que Flávio Bolsonaro afirma que Maduro delataria o presidente brasileiro, o que resultaria no fim do “Foro de São Paulo”. A publicação ocorreu após o sequestro de Nicolás Maduro por autoridades dos Estados Unidos.
🚨URGENTE – Flávio Bolsonaro comemora prisão de Maduro e diz que o Foro de SP está caindo
“Começa a cair hoje o Foro de SP! Uma organização criminosa fundada por Lula e Fidel Castro” pic.twitter.com/EGfvG6YEID
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) January 3, 2026
Dandara também sustenta que o senador teria cometido calúnia, difamação e injúria ao associar Lula e o grupo que reúne partidos de esquerda da América Latina a crimes como tráfico internacional de drogas e armas e lavagem de dinheiro.
A deputada afirma ainda que, no caso, não se aplicaria a imunidade parlamentar, por entender que o conteúdo publicado não estaria vinculado ao exercício típico do mandato legislativo.
Procurado, o senador Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação. A Polícia Federal informou que “não confirma nem se manifesta sobre eventuais investigações em andamento”.
A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça foi formalizada em carta entregue ao presidente Lula na quinta-feira (8). No documento, o então ministro alegou razões pessoais e familiares para deixar o cargo, a partir de (9), em 2026. Desde sexta-feira (9), a pasta é comandada interinamente por Manoel Carlos de Almeida Neto, secretário-executivo, enquanto o advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva, é apontado como o mais cotado para assumir o ministério.