Ministério de Damares censura servidora trans atacada pelos blogueiros Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos

Damares Alves. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Por Caíque Lima

Há meses Marina Reidel, diretora de Promoção de Direitos LGBT no ministério de Damares Alves (da Mulher, Família e dos Direitos Humanos – MMFDH) é atacada nas redes por bolsonaristas.

Procurada pelo DCM, a diretora foi censurada pela pasta e não teve permissão de se defender publicamente.

Transexual e nada simpática a Bolsonaro, ela tem sido atacada por Oswaldo Eustáquio, pelo site Terça Livre e por apoiadores do presidente desde julho, quando publicou um stories no Instagram zombando do “gado do Bozo”.

Print que circula entre o gado bolsonarista. Foto: Reprodução

Marina também tem sido acusada de fazer “a pauta LGBT andar mais rápido que no governo Lula” e sugerir que crianças sintam “tesão por prof. travestis” (sic), segundo Oswaldo Eustáquio.

O site de Allan dos Santos a chama, inclusive, de “secretário”, desrespeitando sua identidade de gênero.

Ela tem sido atacada por bolsonaristas que usam de ofensas transfóbicas e pedem sua cabeça a Damares.

O DCM procurou a diretora para uma entrevista sobre os ataques que vem sofrendo e, também, sobre seu trabalho na pasta. Foi dito que seria necessária uma autorização do MMFDH.

Uma solicitação de entrevista foi enviada à pasta, permitindo que a diretora se defendesse das acusações, mas a resposta da assessoria foi uma simples censura:

No momento, não há interesse em conceder entrevista”.

A pedagogia do salto alto:

Um dos grandes motivos dos ataques à diretora é sua dissertação de pós-graduação pela UFRGS, “A pedagogia do salto alto: Histórias de professoras transexuais e travestis na Educação Brasileira”, que narra e analisa o contexto de professores que não são cisgêneros nas escolas.

Segundo Oswaldo Eustáquio, a diretora sugere, no texto, que crianças sintam “tesão por prof. travestis”. 

Nas 162 páginas da dissertação não existe sequer uma menção à palavra “tesão”.

Além disso, a palavra “sexo” foi usada 109 vezes, todas elas para discorrer sobre questões de gênero e sexo biológico, nenhuma sobre o ato libidinoso.

Mesmo assim, o gado inventou mais uma acusação de ideologia de gênero e chega até a chamar Damares de traidora por manter Marina na pasta.

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