Ministro da Defesa foi demitido por não querer transformar as Forças Armadas em milícia de Bolsonaro

Jair Bolsonaro com o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, no dia da posse – Sergio Lima – 1º.jan.19/AFP

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, pediu demissão no mesmo dia do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

O estopim foi, de acordo com o Estadão, uma entrevista do general Paulo Sérgio, responsável pelo setor de recursos humanos do Exército, inclusive da área de saúde.

Ao Correio Braziliense, Paulo Sérgio defendeu o lockdown, dizendo que integrantes de grupos de risco foram enviados para home office e cerimônias acabaram suspensas em todos os quartéis.

“Além disso, estão sendo realizadas campanhas massivas de distanciamento social e outras ações, como uso de máscaras e higienização das mãos”, contou.

Ainda apontou a possibilidade de uma terceira onda da covid-19 no país.

Lauro Jardim, do Globo, tem outro bastidor.

“Bolsonaro, por exemplo, pediu mais de uma vez a Azevedo e Silva que o comandante do Exército, general Edson Pujol, fosse demitido. Azevedo e Silva resistiu o quanto pôde e segurou Pujol em seu cargo”, escreveu.

“Bolsonaro também costumava reclamar com o general Azevedo e Silva que precisava de demonstrações públicas de apoio das Forças Armadas. E culpava Azevedo e Silva por não tê-las”.

Em nota oficial, Azevedo e Silva agradeceu a Bolsonaro, “a quem dediquei total lealdade ao longo desses mais de dois anos, a oportunidade de ter servido ao País”.

E completa: “Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”.

De estado, frise-se. Não de uma família ou de um governo.

Ou seja, o presidente tentou usar as Forças Armadas para algo que o ministro não queria usar.

Vender cloroquina e encampar negacionismo, eventualmente? Um golpe de estado? O apoio a motins da PM?

Qualquer coisa, desde que alinhada ao bolsonarismo. O que vem por aí pode ser pior.