
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, afirmou nesta segunda-feira (23) que o país deveria expandir sua fronteira com o Líbano até o rio Litani, no sul do território libanês, em meio à intensificação da ofensiva militar israelense.
Segundo ele, a campanha militar em curso precisa resultar em “uma realidade completamente diferente”, não apenas em relação ao Hezbollah, mas também com mudanças territoriais. “A nova fronteira de Israel deve ser o Litani”, declarou o ministro em entrevista a uma rádio israelense.
As declarações representam, até agora, a posição mais explícita de um alto integrante do governo israelense sobre a possibilidade de anexação de território libanês. Smotrich integra a ala de extrema direita do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e já fez comentários semelhantes anteriormente em relação à Faixa de Gaza.
Israel should extend its border with Lebanon up to the Litani River, deep inside the country’s south, Israel’s finance minister said, as Israeli troops bombed bridges and destroyed homes in the area in an escalating military assault https://t.co/Yu2L88ZLMs pic.twitter.com/ktJaE7L814
— Reuters (@Reuters) March 23, 2026
O conflito se intensificou após o Hezbollah lançar mísseis contra Israel em 2 de março, ampliando a guerra regional ligada ao confronto com o Irã. Desde então, Israel tem bombardeado áreas ao sul do rio Litani, consideradas redutos do grupo, e ordenado a evacuação da população local.
Autoridades libanesas afirmam que mais de mil pessoas já morreram e mais de um milhão foram deslocadas. Em Beirute, explosões foram registradas no bairro de Dahiyeh, reduto do Hezbollah. Um ataque israelense também matou um comandante da Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã.
Apesar da escalada, um oficial militar israelense disse à Reuters que as operações terrestres seguem limitadas a áreas próximas à fronteira e evitou comentar declarações políticas ou planos de longo prazo.
O governo de Líbano, por sua vez, tenta conter a crise e busca apoio internacional para pressionar Israel a encerrar a ofensiva. O presidente Joseph Aoun chegou a propor negociações diretas.
Enquanto isso, Israel intensificou ataques a infraestruturas, incluindo pontes sobre o rio Litani, numa tentativa de isolar o sul do país. A medida tem sido criticada por organismos internacionais, que apontam possíveis violações do direito internacional humanitário.
Moradores de cidades fronteiriças relatam escassez de água, energia e combustível, além de dificuldades crescentes de acesso a suprimentos básicos, à medida que rotas para o norte vão sendo interrompidas.