
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que Dias Toffoli deveria ter recusado a relatoria do caso envolvendo o Banco Master desde o início, para evitar o desgaste que hoje atinge o magistrado dentro da Corte, conforme informações do blog do Valdo Cruz, do G1.
A leitura entre colegas é de que, ao aceitar o inquérito e adotar medidas consideradas controversas contra a Polícia Federal, ele acabou se colocando no centro da crise.
Segundo integrantes do STF, ao tomar decisões que confrontaram a PF, Toffoli chamou a atenção da imprensa e abriu espaço para investigações sobre suas possíveis relações com o dono do Master, Daniel Vorcaro.
Esses colegas afirmam ainda que o ministro “errou feio” ao não admitir desde o começo que era sócio anônimo de uma empresa que administrava resorts no Paraná e cuja participação familiar foi vendida a um fundo do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.
“Ele errou do início ao fim, e errou feio”, dizem colegas do ministro.
Relatório da PF e possível suspeição
A situação se agravou após a entrega, na última segunda-feira (9), de um relatório da Polícia Federal ao presidente do STF, Edson Fachin. O documento reúne informações extraídas do celular de Vorcaro e cita diversas vezes o nome de Toffoli e de outras autoridades com foro privilegiado.
A PF não pede formalmente a suspeição do ministro, mas lista elementos que podem indicar conflito de interesses e embasar eventual afastamento da relatoria.
Dentro do Supremo, a avaliação é que o ministro terá de se explicar a Fachin, que recebeu pessoalmente o material do diretor da PF. O presidente da Corte encaminhou o relatório a Toffoli. Em nota, o ministro afirmou que a PF faz “ilações” sobre suas conversas com Vorcaro e declarou que irá prestar esclarecimentos.
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O embate entre Toffoli e a Polícia Federal já vinha se intensificando. Desde que assumiu o caso, o ministro acusou a corporação de inércia na apuração e determinou uma acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB e o diretor de Fiscalização do Banco Central, o que gerou tensão com a delegada responsável. Em outro momento, tentou impedir que a PF analisasse o conteúdo do celular do empresário.
Clima de tensão no Supremo
A revelação de que o aparelho apreendido menciona Toffoli também provocou espanto entre ministros do STF, segundo o colunista Igor Gadelha, do Metrópoles. Os magistrados apostam que o material tem potencial explosivo.
“Estamos tentando entender. Temos poucas informações. Ministro Fachin não falou nada com ninguém. O clima é péssimo”, afirmou, sob reserva, um integrante da Corte. Outro avaliou: “Ninguém acredita que vai parar por aí”.
A expectativa interna é de que Fachin decida inicialmente de forma individual sobre eventual afastamento de Toffoli da relatoria do caso Master e, depois, submeta a decisão aos demais ministros.