Miriam Leitão lista crimes de Flávio Bolsonaro: “Objetivo é acabar com as investigações”

Atualizado em 22 de outubro de 2026 às 7:15
A jornalista Miriam Leitão. Foto: reprodução

A jornalista Míriam Leitão relembrou, durante a “Central das Eleições”, da GloboNews na última segunda-feira (21), uma série de suspeitas e investigações que marcam a trajetória de Flávio Bolsonaro (PL) ao comentar o que poderia acontecer com apurações criminais caso o senador seja eleito presidente da República. Entre os episódios mencionados estão o caso das “rachadinhas”, a antiga loja de chocolates, a compra de uma mansão em Brasília e as atuais investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

“Muitas outras dúvidas sobre Flávio Bolsonaro foram enterradas vivas, como a da rachadinha. Foi enterrada viva; a gente viu tudo, viu toda a informação”, afirmou Míriam.

O caso teve origem em movimentações consideradas atípicas envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio. Em 2020, o Ministério Público denunciou o então deputado sob suspeita de comandar um esquema de recolhimento de parte dos salários de funcionários. A acusação envolvia, em tese, organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita.

A denúncia não chegou a resultar em processo criminal. STJ e STF anularam provas obtidas durante a investigação por questões processuais, entre elas decisões tomadas por juízo considerado incompetente e a forma de obtenção de relatórios financeiros. Com isso, o próprio MP pediu o arquivamento. Não houve julgamento de mérito que declarasse Flávio culpado ou inocente das acusações.

Míriam também recordou “a loja de chocolate, com um faturamento totalmente atípico”. O MP-RJ suspeitou que uma franquia da Kopenhagen mantida por Flávio no Rio teria sido utilizada para lavar recursos do suposto esquema.

Investigadores apontaram uma diferença de cerca de R$ 1,6 milhão entre o faturamento registrado pelo shopping e os créditos que entraram na conta da empresa, além de uma proporção considerada incomum de depósitos em dinheiro vivo. Flávio sempre negou irregularidades.

Outro episódio lembrado pela jornalista foi “a compra da casa”. Em 2021, Flávio adquiriu uma mansão no Lago Sul, em Brasília, por aproximadamente R$ 6 milhões. A operação levantou questionamentos sobre a origem dos recursos e as condições do financiamento. O senador afirmou que tinha renda de atividades empresariais e advocatícias, além do salário parlamentar, para sustentar a aquisição. A compra, por si só, não resultou em condenação criminal.

Mais recentemente, novas suspeitas chegaram ao STF. Flávio é investigado pela Polícia Federal por possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.

A apuração encontrou mensagens e registros de encontros entre o senador e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, durante negociações para financiar a produção.

“Sem falar do Vorcaro, né?”, resumiu Míriam. Segundo documentos da investigação, Flávio teria atuado diretamente nas tratativas e feito cobranças para que o ex-banqueiro liberasse recursos. O senador confirma ter pedido dinheiro para o filme, mas nega corrupção ou concessão de qualquer vantagem em troca.

Há ainda uma segunda frente recente envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio e investigado em apurações relacionadas a fraudes no INSS e negócios com apostas.

A PF abriu inquérito para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras envolvendo os dois. Entre os pontos apurados estão viagens custeadas por empresa ligada ao advogado e o acesso atribuído a Flávio a uma conta de uma offshore. Ambos negam irregularidades.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 32 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.