Mistura de Doutor Bumbum e Jim Jones, Daciolo, vencedor do debate, é o Bolsonaro da vida real. Por Kiko Nogueira

Ele é o cara

Poucas coisas explicam melhor o Brasil do que os debates de presidenciáveis.

Cabo Daciolo foi a grande estrela de uma noite que, sem ele, teria apenas Jair Bolsonaro como palhaço.

Sem Lula, líder das pesquisas, cuja ausência é inevitável por motivos óbvios, esses programas viram shows de calouros do mundo bizarro.

Deputado federal, o candidato do Patriota tentou se vender como alternativa ao que chamou de “velha política”, se referindo aos adversários, à base de delírios apocalípticos. 

Bombeiro, fanático evangélico e exasperado, ele se apresentou como “servo do Deus vivo”.

Ao confrontar Ciro Gomes, acusou-o de ser o “fundador do Foro de São Paulo” (mentira) e perguntou o que ele sabia sobre a “Ursal”, sigla de uma certa “União das Repúblicas Socialistas da América Latina”.

Que diferença há, na essência, entre esse tipo de estupidez e as diatribes anticomunistas de Bolsonaro?

Segundo ele, o momento é de transformação” e o “povo está cansado de promessas”. “Queremos atitude”, afirmou.

Os brasileiros não devem sair do país porque “está chegando o momento do crescimento, de clamar a Deus, que vai dar a vitória”.

“Essa crise [fiscal] é uma crise mentirosa. Vou fazer auditoria da dívida. Temos 400 bilhões de sonegadores, incluindo emissoras, banqueiros. Dinheiro é o que mais tem”, cravou.

Desde 2015, Daciolo já passou por três legendas.

Começou no PSOL — pois é —, do qual foi expulso depois de apresentar uma PEC que alterava o parágrafo da Constituição que diz que “todo o poder emana no povo” para “todo o poder emana de Deus”. 

Há semanas, profetizou a cura da colega Mara Gabrilli, do PSDB, no plenário da Câmara.

“Eu creio que aquela mulher vai levantar da cadeira e vai começar a andar”, falou, apoplético, com a Bíblia na mão.

Segundo as últimas informações, Mara continua tetraplégica.

Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos é natural de Florianópolis, tem 42 anos e nasceu para brilhar.

Se alguém achava que os 20% de votos de Bolsonaro estavam cristalizados, eis alguém capaz de meter a mão nessa cumbuca de mentecaptos.

E isso foi apenas o primeiro debate. Dias piores virão. Sangue de Jesus tem poder.

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