Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, é escolhido novo líder supremo do Irã

Atualizado em 3 de março de 2026 às 19:26
Mojtaba Khamenei

A Assembleia de Especialistas do Irã escolheu Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país após a morte do aiatolá Ali Khamenei. A informação foi divulgada pela emissora Iran International, que citou fontes informadas segundo as quais a decisão ocorreu sob pressão da Guarda Revolucionária iraniana.

Segundo filho mais velho de Khamenei, Mojtaba tem 65 anos e nunca ocupou um cargo político de destaque no país. Ainda assim, ele não é um desconhecido dentro da burocracia do regime. Durante anos, atuou nos bastidores coordenando o gabinete do pai e construiu relações importantes dentro do aparato de poder iraniano.

Ele foi ferido recentemente e provavelmente continuará sendo alvo de tentativas de assassinato por parte de Israel. Tem proximidade com Hossein Taib, influente chefe da inteligência da Guarda Revolucionária. Os dois se conheceram durante a guerra entre Irã e Iraque e mantiveram relações próximas ao longo das décadas.

Apontado há anos como possível sucessor de Ali Khamenei, Mojtaba era considerado um rival político do ex-presidente Ebrahim Raisi, morto em 2024. Dentro do establishment religioso iraniano, ele possui credenciais clericais consideradas mais fortes que as de Raisi. Mojtaba é descrito por meios iranianos como aiatolá, posição elevada dentro da hierarquia religiosa xiita, enquanto Raisi era classificado apenas como imã.

O professor Arash Azizi, da Universidade Clemson, nos Estados Unidos, afirmou em 2024 que a hipótese de Mojtaba suceder o pai deixou de ser apenas um rumor. “Quando começaram a falar dele como sucessor, em 2009, achei que fosse boato. Agora está claro que ele se tornou uma figura importante, apesar de permanecer praticamente invisível ao público”, disse o especialista.

No sistema político iraniano, o líder supremo exerce autoridade acima do presidente da República e acumula funções de chefe de Estado, comandante das Forças Armadas e autoridade religiosa máxima. A posição deriva do princípio teológico do Velayat-e Faqih, segundo o qual um jurista islâmico de alto escalão deve governar a sociedade para garantir a aplicação da lei islâmica.

Apesar de suas credenciais religiosas, a eventual ascensão de Mojtaba sempre enfrentou resistências internas. Um dos fatores é a falta de trajetória política pública. Ele nunca disputou eleições e mantém atuação quase exclusivamente nos bastidores do regime.

 

Outro ponto sensível envolvia o legado da Revolução Iraniana de 1979, que derrubou a monarquia do xá Mohammad Reza Pahlavi. Um dos pilares da revolução foi justamente o combate à sucessão hereditária no poder. A escolha do filho do líder supremo poderia ser vista por setores da sociedade iraniana como uma ruptura com esse princípio.

Veterano da guerra Irã-Iraque, Mojtaba também mantém relações estreitas com o aparato de segurança do país. Reformistas iranianos o acusam de ter exercido influência na eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad em 2005, vitória considerada surpreendente na época.

Em 2022, durante nova onda de protestos contra o regime, o líder reformista Mir-Hossein Mousavi, que está em prisão domiciliar desde 2011, chegou a pedir que Ali Khamenei esclarecesse os rumores sobre a sucessão do filho. O líder supremo não respondeu naquele momento.