Montamos uma seleção mundial com os maiores craques dos últimos 50 anos

Pelé numa bicicleta nos anos 1960

 

Ladies & Gentleman:

Por uma solicitação do boss, faço aqui o “Time dos Sonhos”. Fiz uma seleção com os melhores jogadores dos últimos cinquenta anos. Muitos vi em ação. Outros só pude admirar em vídeos. Fiz o time e incluí cinco reservas. Notei uma coisa: não havia um único jogador da atualidade no time titular. Entre os dezessseis, apenas Messi entrou, mas no banco.

O debate está aberto, e minha seleção é a seguinte.

Banks, no gol. Se não fosse tudo o mais, a defesa que ele fez numa cabeçada mortal de Pelé no jogo entre Inglaterra e Brasil na Copa de 70 já lhe garantiria o número 1.

Carlos Albertos Torres, na ala direita. Categoria e personalidade. Não sei como não foi expulso no jogo citado acima, depois de uma entrada criminosa, mas tudo bem.

Bekenbauer, o Kaiser, no centro da defesa. Talento de brasileiro e garra de argentino a serviço dos alemães. Como esquecer seu esforço heróico na semifinal de 1970 contra a Itália quando jogou com a clavícula quebrada?

Bobby Moore, ao lado de Bekenbauer. Pelé dizia que nenhum jogador o marcou tão bem, e isso fala tudo sobre este zagueiro extraordinário morto tão cedo.

Paul Breitner, campeão do mundo pela Alemanha em 1974, para completar a defesa. Breitner atacava e defendia com a mesma eficácia germânica. Parecia uma Mercedes Bens deslizando, elegante, pelos gramados.

Zito, bicampeão mundial em 1958 e 1962 jogando pelo Brasil, como volante. Zito, uma enciclopédia da bola, foi um tutor para um certo garoto franzino com um apelido esquisito no meu time brasileiro, o Santos, no final da década de 1950 e começo da de 60. O bigode fino lhe dava um ar superior de chefe do escritório.

Zidane, pela meia direita. Zidane parecia enxergar a partida da arquibancada, como o brasileiro Sócrates, com a diferença que não bebia. Foi lindo vê-lo encerrar a carreira gloriosa dando uma cabeçada num catso de italiano que ousou falar mal de sua irmã.

Maradona, na meia esquerda. Durante muito tempo odiei Maradona por ter feito com um gol de mão contra meu English Team na semifinal de 1986 no México. Mas hoje me encanto com um dvd que mostra a história de Diego Armando Maradona. Visto o que ele fez quando jogou no Napoli, não é à toa que os napolitanos torceram pela Argentina, quer dizer, por Maradona, quando italianos e argentinos duelaram na semifinal de 1990, em plena Itália.

Garrincha, pela direita, no ataque. Foi o único jogador do futebol, ao lado de Maradona-86, a ganhar sozinho uma Copa. Em 1962, no Chile, Garrincha, com suas pernas tornas, destruiu todos os beques que se atravessaram em seu caminho e no da seleção canarinha.

Ronaldo Fenômeno, no centro do ataque. O Fenômeno do Barcelona, magro, rápido, forte o suficiente para em suas arrancadas vencer divididas com zagueiros e hábil o bastante para colocar a bola no fundo das redes.

Pelé, bem, este joga onde quiser. Maradona pode não gostar, mas a camisa 10 é de Pelé. Maradona fica com a 8.

Os cinco do banco: o italiano Zoff, no gol. Ele foi essencial para que um time medíocre como a Itália de 1982 conquistasse o cetro mundial.

Na defesa, Nílton Santos, bicampeão em 1958 e 1962 pelo Brasil.

Para o meio de campo, Collin Bell, o maior jogador da história do meu City. Sob a liderança de Nijinski, como Bell era conhecido por causa de um cavalo de corrida famoso em seus dias, o City foi campeão inglês na temporada de 1967-1968. A esse título se seguiriam 44 anos de jejum, só quebrados agora com Tevez e Balotello. Você pode achar que estou fazendo uma patriotada, mas mesmo minha mulher Chrissie, que discorda de mim em tudo, concorda em que nosso Nijinski merece um lugar neste banco.

Messi, para entrar quando Maradona estiver cansado. Como técnico, diria para ele antes de colocá-lo no campo: “Faça o que o Maradona fez.”

Gerd Muller, o temível centroavante alemão que foi terceiro no México em 1970 e depois campeão na sua Alemanha, em 1974. Muller nasceu para fazer gols e cumpriu esplendidamente seu destino.

All the best.

Tradução: Erika K Nakamura 

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Aos 53 anos, o jornalista inglês Scott Moore passou toda a sua vida adulta amargurado com o jejum do Manchester City, seu amado time, na Premier League. Para piorar o ressentimento, ele ainda precisou assistir ao rival United conquistando 12 títulos neste período de seca. Revigorado com a vitória dos Blues nesta temporada, depois de 44 anos na fila, Scott voltou a acreditar no futebol e agora traz sua paixão às páginas do Diário.