
O ministro Alexandre de Moraes determinou que o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) seja interrogado pela Polícia Federal no prazo de dez dias. Na mesma decisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a sindicância aberta pelo CFM sobre a assistência médica prestada ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal.
Moraes afirmou que o CFM não tem competência para instaurar sindicância sobre a atuação da Polícia Federal e classificou a medida como ilegal. O ministro destacou que haverá oitiva formal do dirigente do conselho, conduzida pela PF, para esclarecer as razões da abertura do procedimento e as circunstâncias das acusações feitas pela entidade.
Na decisão, Moraes citou relatório médico produzido pela própria Polícia Federal sobre o atendimento a Bolsonaro. Segundo o documento mencionado, não foi identificada omissão no atendimento ao ex-presidente e os exames realizados no hospital DF Star não indicaram sequelas relacionadas ao episódio da queda.
Além do interrogatório do presidente do CFM, Moraes determinou que o hospital DF Star envie, em até 24 horas, todos os laudos e exames médicos realizados em Bolsonaro. O CFM havia informado que solicitou ao CRM-DF a abertura de sindicância para apurar o atendimento após a queda do ex-presidente na sede da PF em Brasília, o que agora está suspenso por decisão do STF.
O CFM (Conselho Federal de Medicina) manifesta extrema preocupação com saúde de Bolsonaro e determina sindicância imediata. pic.twitter.com/GUvNVmk8HO
— Vlog do Marcone (@vlogdomarcone) January 7, 2026
Nesta semana, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi levado ao Hospital DF Star, em Brasília, para realização de exames neurológicos após uma queda na cela em que cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal. Ele passou por tomografia computadorizada, ressonância magnética e eletroencefalograma a pedido de sua defesa e com autorização do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal.
Os exames identificaram “leve densificação de partes moles” na região frontal e temporal da cabeça, sem fraturas ou necessidade de intervenção cirúrgica especializada, segundo boletim médico divulgado pela unidade de saúde.
O episódio aconteceu dias depois de Bolsonaro ter retornado à prisão após alta hospitalar no início de janeiro, quando deixou o DF Star após uma série de procedimentos médicos e voltou à custódia da PF. Na nova internação desta semana, a transferência para o hospital ocorreu sob escolta da Polícia Federal e, após os exames, ele foi levado de volta à Superintendência da PF, onde permanece sob custódia.