
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou nesta quarta-feira (01) uma investigação sigilosa sobre o conteúdo extraído de celulares do advogado Frederick Wassef, defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Polícia Federal apreendeu os aparelhos na apuração sobre o suposto desvio de joias e presentes oficiais recebidos por Bolsonaro em viagens internacionais.
Moraes mandou que o novo procedimento tramite sob sigilo. Em 4 de março, a Polícia Federal informou ter identificado “eventos fortuitos” nos dados dos celulares de Wassef e apontou a necessidade de apuração em procedimento separado.
A Procuradoria-Geral da República apoiou a investigação sobre o conteúdo encontrado nos aparelhos. O objetivo, segundo a PGR, é “que se avalie as hipóteses criminais cogitadas”, que não têm “conexão ou pertinência” com o caso das joias.
A Polícia Federal indiciou Wassef, Bolsonaro e outras dez pessoas no inquérito das joias. A lista inclui Fabio Wajngarten, advogado da família Bolsonaro; o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens; o general Mauro Lourena Cid; o almirante Bento Albuquerque; e ex-assessores e ex-integrantes do governo Bolsonaro.

PGR pediu arquivamento do caso das joias
No inquérito principal, a PGR pediu o arquivamento do caso das joias. A procuradoria sustentou que não há base para punição criminal pelo recebimento de presentes por presidentes, porque não existe lei clara que defina se esses itens pertencem ao governante ou ao Estado.
O caso veio a público em março de 2023, quando reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou que Bento Albuquerque, então ministro de Minas e Energia, tentou entrar no Brasil em outubro de 2021 com uma mala de joias da Arábia Saudita destinadas a Bolsonaro. Ele não declarou o material à Receita Federal, que apreendeu os itens.
A PF começou investigando dois conjuntos de joias recebidos em 2021 e depois identificou um terceiro conjunto, de 2019. Entre os itens havia brincos de diamantes, anéis, abotoaduras, uma caneta Chopard, um rosário árabe e dois relógios; Bolsonaro também precisou devolver ao TCU um conjunto de armas da marca Caracol recebido em viagem à Arábia Saudita.
A investigação levou a PF a rastrear tentativas de venda de presentes no exterior. Mauro Cid e seu pai, general Mauro Lourena Cid, venderam um Rolex e um Patek Philippe nos Estados Unidos em junho de 2022, e Wassef recomprou um dos relógios para devolução às autoridades brasileiras; à época, ele negou participação na venda das joias, mas não se manifestou sobre a recompra.