Moraes usa repasse de R$ 100 mil feito por advogado a jornalista para autorizar operação

Atualizado em 11 de agosto de 2026 às 20:57
Moraes afirmou que só vai decidir penas após congresso se pronunciar sobre a Lei da Dosimetria
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou uma transferência de R$ 100 mil em benefício do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida ao autorizar buscas contra uma fonte do profissional e um advogado.

Segundo o Metrópoles, a Polícia Federal identificou Raimundo Cutrim, ex-secretário de Assuntos Legislativos do governo do Maranhão, como a principal fonte de reportagens sobre o suposto uso irregular de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino e familiares. A PF chegou a Cutrim após acessar a conta de WhatsApp de Luís Pablo por meio de um notebook apreendido anteriormente.

As conversas também levaram os investigadores ao advogado Diogo Diniz Lima. De acordo com o relatório, Diogo fez uma transferência de R$ 100 mil em favor de Luís Pablo, mas o dinheiro foi depositado na conta de Danilo Cutrim Bezerra. A própria PF registra que o valor correspondia a parte do pagamento pela compra de um imóvel rural de Danilo por Luís Pablo.

Apesar dessa explicação para a movimentação financeira, a PF avaliou que o pagamento colocava “sob suspeita o aspecto meramente informativo” da relação examinada. Os investigadores sustentam ainda que Diogo interferia no teor de reportagens sobre Dino e teria orientado Luís Pablo a apagar mensagens relacionadas a uma publicação.

Flávio DIno
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Foto: Rosinei Coutinho/STF

Moraes afirmou na decisão que os elementos reunidos indicam atuação conjunta de Raimundo Cutrim e Diogo Diniz Lima com Luís Pablo. Segundo o ministro, o grupo teria usado informações sensíveis, vazamentos e acompanhamento de veículos para atentar contra a liberdade individual de Dino, com indícios de perseguição.

Luís Pablo nega ter recebido dinheiro para publicar reportagens contra o ministro e afirma que nunca seguiu carros de Dino ou de seus familiares. A defesa de Raimundo Cutrim também questionou a operação e disse que ainda não havia tido acesso integral aos autos. O advogado sustenta que as reportagens sobre os veículos oficiais deveriam ser investigadas, e não a atividade da fonte.

As buscas contra Cutrim e Diogo foram autorizadas por Moraes em 3 de agosto e cumpridas pela PF nesta terça-feira (11). A investigação é um desdobramento da operação realizada em março contra Luís Pablo, quando computadores e celulares do jornalista foram apreendidos. O processo tramita sob segredo de Justiça.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!