Moro comandará órgão que descobriu repasse para Michelle Bolsonaro. Vai valer a Lei Onyx? Por Kiko Nogueira

Michelle e Jair Bolsonaro. Foto: Agência Brasil

O caso da “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão na conta de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro causa um problema não só para o governo como um todo, mas para Sergio Moro especificamente.

Uma gestão que nem se iniciou já aparece com denúncias de corrupção e caneladas entre seus caciques de dar gosto.

A futura primeira dama aparece premiada com um cheque de R$ 24 mil que não teve qualquer explicação oficial.

No Twitter, Flávio escreveu que “Fabrício Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança. Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta”.

“Em outubro foi exonerado, a pedido, para tratar de sua passagem para a inatividade. Tenho certeza de que ele dará todos os esclarecimentos”.

O PM Queiroz, ex-motorista e segurança de Flávio, estava numa lista de 22 funcionários que, segundo o Coaf, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, mexeram com um dinheiro incompatível com seus vencimentos.

Essa relação estava com o Ministério Público. Deu origem à Operação Furna da Onça, focada em esquemas na Alerj. Nem ele e nem Flávio foram alvos.

O filho de Jair quer que o antigo empregado esclareça a parada. Vai ter que combinar com ele e os russos.

E se Fabrício abrir o bico?

A imprensa já se encarregou de varrer a história para o rodapé, substituída por mais um capítulo da delação picareta de Palocci envolvendo Lula.

A partir de 1º de janeiro, o Coaf passa a responder a Moro em suas atribuições no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ele ainda não definiu quem será o chefe do órgão.

Se a investigação for aberta, Moro terá que mostrar que o “indulto” a Onyx Lorenzoni (“Tem minha confiança pessoal”) foi um deslize e levará o imbroglio envolvendo a mulher do chefe às últimas consequências.

Se não for aberta, pior ainda.

Seu caminho para a presidência em 2022 não será tão fácil quanto parecia.

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