
O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), reclamou da atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no debate presidencial da Band, realizado no domingo (18). A interlocutores, ele avaliou que o candidato deixou passar a oportunidade de demonstrar preparo para disputar a Presidência da República, segundo a coluna de Guilherme Amado no Amado Mundo.
Na avaliação do ex-juiz da Lava Jato, Flávio adotou uma postura fanfarrona e tumultuadora, voltada ao público que já o apoia. Moro considerou que a estratégia afastou o senador da tentativa de conquistar eleitores indecisos com uma imagem de alternativa séria.
Moro atribuiu parte do desempenho à influência de Pablo Marçal, que orientou Flávio nos bastidores do debate. Para o governador eleito, o senador apostou em um estilo que priorizou provocações e aplausos fáceis em vez de apresentar propostas e argumentos ao eleitorado.

Presença de Moro e Dallagnol virou argumento no debate
Durante o confronto com o presidente Lula (PT), Flávio citou a presença de Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR) no estúdio. “Inclusive, a gente prendeu tá aqui. Moro e Dallagnol, sejam bem-vindos”, disse o senador ao provocar o petista.
Flávio afirmou que Moro e Dallagnol “lutaram muito” no combate à corrupção e acusou Lula de ter ajudado a desmantelar esse trabalho junto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-procurador coordenou a força-tarefa da Lava Jato, enquanto Moro conduziu os processos que levaram à condenação e à prisão de Lula.
O STF anulou posteriormente os atos de Moro contra Lula após reconhecer a suspeição do então juiz na condução dos processos da Lava Jato. Dallagnol acompanhou o debate com uma camiseta que trazia a frase “Eu prendi o Lula, o STF soltou”.
Em outro momento, Flávio perguntou onde estaria Fábio Luís Lula da Silva e afirmou que o filho do presidente estaria “fugido”. Lula respondeu: “Eu não sou pai que protege o filho como você foi protegido pelo seu pai. Não escondo nem mudo diretor da PF nem mando ministro embora”.
A fala de Lula remeteu à saída de Moro do Ministério da Justiça, em 2020, quando ele acusou Jair Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal após a exoneração do diretor-geral Maurício Valeixo.