Moro e MP “blindaram” FHC de acusação igual à de Lula: o instituto

Atualizado em 18 de junho de 2019 às 21:06
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Publicado originalmente no Tijolaço

POR FERNANDO BRITO

Um trecho do conversas por aplicativo entre Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, exibido pelo The Intercept,  revela que o ex-juiz Sérgio Moro discordou de investigações sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na Lava Jato “porque, nas palavras dele”, não queria “melindrar alguém cujo apoio é importante”.

O diálogo ocorreu em 13 de abril de 2017, um dia depois do Jornal Nacional ter veiculado uma reportagem a respeito de suspeitas contra o tucano. Naquele dia, Moro chamou Deltan Dallagnol em um chat privado no Telegram para falar sobre o assunto. O juiz dos processos da Lava Jato em Curitiba queria saber se as suspeitas contra o ex-presidente eram “sérias”. O procurador respondeu acreditar que a força-tarefa – por meio de seu braço em Brasília – propositalmente não considerou a prescrição do caso de FHC e o enviou ao Ministério Público Federal de São Paulo, segundo ele, “talvez para [o MPF] passar recado de imparcialidade”.

Moro, então, adverte sobre a inconveniência de mexar com alguém que era “alguém cujo apoio [à Lava Jato]  é importante”.

Tecnicamente, sustar uma investigação porque alguém é importante politicamente  tem um nome no Código Penal: prevaricação, deixar de tomar ou impedir que se tome ato de ofício que seja de seu dever.

As investigações passam, então, a ser simples pantomima.

A “palestra” de Fernando Henrique Cardoso que serviria para justificar o pagamento da Odebrecht a Fernando Henrique Cardoso tinha, até, uma desvantagem à mesmoa imputação que, à epoca, se fazia|à de Lula: ao contrário do petista, FHC jamais a havia feito.

No texto do The Intercept:

Moro estava explicitamente preocupado com investigações da Lava Jato contra um apoiador político de seu trabalho. E Dallagnol admitiu acreditar que outros procuradores da força-tarefa passaram adiante uma investigação que sabidamente não resultaria em processo, a fim de fabricar uma falsa percepção pública de “imparcialidade”, sem, no entanto, colocar FHC em risco.

Os promotores chegaram a fazer, simultaneamente, uma operação de busca e apreensão no Instituto FH, no  Instituto Lula e à LILS, empresa de palestras do petista. Desistiram, porque isso poderia dar a chance que Lula argumentasse que os pagamentos que o Instituto recebeu foram idênticos à entidade do tucano.

The Intercept traz o PSDB e Fernando Henrique para o imbroglio das manipulações da Lava Jato, embora o ex-presidente diga que não passa de uma “tempestade em copo d’água”.

Gota a gota, porém, a Lava jato está se afogando.

PS. Naquele site “O Bolsonarista”, Sérgio Moro diz que tudo não passa de “mero sensacionalismo”.