Moro e Onyx são humilhados por um chefe insaciável. Por Moisés Mendes

Sérgio Moro, Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni. Foto: Agência Brasil

Esta é a semana para Sergio Moro e Onyx Lorenzoni se encontrarem em algum corredor do poder, para que um chore no ombro do outro por tudo que já fizeram por Bolsonaro e pelo que já perderam e ainda devem perder no governo.

Os dois são os subalternos mais humilhados por Bolsonaro. Onyx, que desafiou o próprio partido, o DEM, ex-PFL, para apoiar Bolsonaro desde o início, que coordenou a campanha, que chefiou a equipe de transição e assumiu a bronca da articulação política de um governo desgovernado, que deveria comandar as parcerias com as empresas amigas, perdeu tudo e passa a ser um zumbi do mesmo nível de Sergio Moro.

E Moro é o juiz que largou a vida boa de Curitiba, com unanimidade de todos os golpistas, e foi atraído por Bolsonaro para uma armadilha. Seria ministro da Justiça, para emprestar reputação ao governo, e depois ocuparia o lugar de Celso de Mello no Supremo.

Moro pode ser ex-juiz, ex-ministro da Justiça, ex-chede da Polícia Federal e ex-candidato a uma vaga no Supremo, tudo nos próximos meses.

A diferença entre Moro e Onyx é que Onyx tem um mandato de deputado pelo ex-PFL e Moro não tem nada, só tem a perspectiva ainda vaga de vir a ser candidato em 2022.

Moro disse esses dias em conversa com os humoristas do Pânico que pode ir para a iniciativa privada. O ex-juiz repete essa história sempre que tenta dizer que tem outras saídas.

Iniciativa privada pode ser a abertura de uma banca de advogados com amigos de Curitiba como pode ser um emprego com carteira assinada, no modelo intermitente, em alguma empresa que apoiou a Lava-Jato, ou seja, em qualquer grande corporação.

Sergio Moro e Onyx estão com a cara do assustado. Eles que sabem que, se Bolsonaro soltar os filhos da coleira, os dois serão comidos.

Os filhos de Bolsonaro já comeram Gustavo Bebianno, Joice Hasselmann, delegado Valdir, Alexandre Frota e seis generais. Se forem atiçados, comem Moro e Onyx.

Moro sabe que as pesquisas sobre sua popularidade são perigosas. Uma coisa é ser popular sob a asa de Bolsonaro, apresentando-se como caçador de bandidos, e outra é ser entregue ao mundão da política, nas mãos do pessoal do podemos, do talvez possamos e do nem sempre se pode.

Os articuladores do novo partido de Bolsonaro apresentaram seu nome num evento no Rio como sendo um dos líderes da Aliança pelo Brasil. Pode ser uma tática de Bolsonaro para empurrá-lo para o ringue e queimá-lo logo.

É estranho, porque o ex-juiz parece entregar tudo o que Bolsonaro espera dele, como a não inclusão do miliciano Adriano da Nóbrega, amigo da família, na lista de bandidos mais procurados do país.

E agora a Polícia Federal decidiu que não há nada de irregular na suspeita de lavagem de dinheiro dos negócios imobiliários milionários de Flavio Bolsonaro. Uma semana depois de Bolsonaro ameaçar tirar a PF do comando de Moro.

Mas Sergio Moro vai entregando e vai sendo cobrado, porque Bolsonaro o mantém sob cobrança permanente. São infindáveis as demandas da família. O ex-juiz presta serviços a um chefe insaciável.

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