Moro é tigrão com os punks do Facada Fest e tchutchuca com os PMs amotinados. Por Kiko Nogueira

Moro passeia de blindado em Brasília

A tibieza com que Moro está tratando o motim dos policiais milicianos no Ceará contrasta com a firmeza em relação a um festival punk em Belém (sim, habemus punks no Pará).

Na semana passada, o ministro da Justiça deu um rolê de helicóptero por Fortaleza e cravou, sem medo de ser feliz, que a situação estava sob controle. Naquele momento, batalhões da PM estavam sendo invadidos.

No sábado, passou pano.

“O governo federal vê com preocupação a paralisação que é ilegal da Polícia Militar do estado. Claro que o policial tem que ser valorizado, claro que o policial não pode ser tratado de maneira nenhuma como um criminoso”, disse.

Ora, se cometem crimes, qual deve ser o tratamento? Ou a farda é salvo-conduto?

A Constituição Federal proíbe essa paralisação. Em 2017, o STF reforçou o entendimento e estabeleceu que todas as carreiras policiais são impedidas de fazer greve.

Hoje, Moro gravou um vídeo, produzido por algum estafeta, em que ele, sem olhar diretamente para a câmera, lamenta a “exploração política do episódio”.

Ministro, quem está explorando politicamente é o senhor, mais os bolsonaristas que estão por trás dos amotinados. O Capitão Wagner, por exemplo. Ou o filho do seu patrão, Eduardo Bolsonaro.

Um senador licenciado toma um tiro no peito e a resposta de SM é o silêncio obsequioso.

Já com os jovens do Facada Fest, não há meias palavras, não há espaço para tergiversação. É na chincha, mesmo. Pau na moleira da cambada.

Autorizou abertura de inquérito contra os quatro organizadores do evento musical, intimados a prestar depoimento na PF.

A denúncia foi feita por um bolsonarista investigado por fake news no Supremo, Edson Salomão.

Os pôsteres eram o problema.

“Publicar cartazes ou anúncios com o presidente ou qualquer cidadão empalado ou esfaqueado não pode ser considerado liberdade de expressão. É apologia ao crime, além de ofensivo”, declarou, peremptório, nas redes.

“Decapitado também. Se fosse outro agente político ou outra pessoa concreta, estariam liberadas a ofensa ou a apologia ao crime? Crítica é uma coisa, isso é algo diferente”.

Tchuchuca com PM, tigrão com punks. Eis o guerreiro de Maringá.

Cartaz do Facada Fest, no PA

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