Moro faz delação premiada e se lança candidato a presidente. Por Donato

A sabedoria popular ensina que tudo o que vem depois de “mas” é o que realmente importa.

Ainda nos minutos iniciais do pronunciamento em que anunciou sua demissão do Ministério da Justiça, Sergio Moro, depois de longo prólogo, soltou um “mas” e em seguida reconheceu que sua amada Polícia Federal teve toda liberdade do mundo para trabalhar durante a gestão PT.

Referiu-se a 2014 sem, contudo, externar o nome de Dilma Rousseff. Fez isso, com todas as letras, pouco depois.

“Imagine se a presidente Dilma ou o ex-presidente Lula ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações a todo momento”, disse Moro.

Pois então. Não ligavam. Nunca houve interferência do PT nas investigações da tal Lava Jato, mesmo com tantos petistas sendo perseguidos e enfiados na cadeia sem nenhuma prova, sem nenhum julgamento.

O objetivo das prisões era forçar uma delação que seria posteriormente premiada.

O ex-todo-poderoso-ministro agora reconhece que era feliz e não sabia. Sua Lava Jato colheu todos os louros da glória que, fosse Bolsonaro o governante da vez, jamais aconteceria.

Em seu pronunciamento desta sexta-feira, o Batman de Curitiba enfatizou diversas vezes que Bolsonaro exerce pressão na Justiça sem argumentos justificáveis desde o primeiro dia da gestão biroliro.

Claro. Desde sempre Bolsonaro está única e exclusivamente preocupado em evitar que seus filhos 01, 02 e 03 tornem-se presidiários.

Bolsonaro não está nem aí com o país, com o povo, com o auxílio-emergencial, com a Amazônia ou com a falta de UTIs. Ele não governa, não trabalha, não dá um passo em favor de coordenar uma união entre estados, municípios e governo federal.

Ao contrário, desmonta ministérios fundamentais como os da Saúde e da Justiça em meio a uma pandemia que já está levando cadáveres para valas comunitárias.

Sergio Moro foi até comedido nas palavras, pois deveria ter dito com todas as letras que durante as gestões Lula e Dilma a Polícia Federal ganhou musculatura e foi respeitada, e que ele deveria agradecer isso mais claramente.

Sob o corrupto governo Bolsonaro, ninguém tem autonomia nem para escovar os dentes.

Moro fez um pronunciamento que pode ser entendido como uma delação.

Moro assumiu ter questionado Bolsonaro sobre a interferência política na exoneração de Maurício Valeixo. “Ele disse que era mesmo”. Ponto.

Moro revelou que a exoneração do diretor da PF não foi assinada por ele. Ponto.

Há mais. Moro repetiu não ocorrido o tal acordo de promessa de vaga no STF, mas confessou ter feito parte de uma combinação ilegal. Pediu uma espécie de pensão ou seguro de vida extraoficial para a aceitar a nomeação como ministro. Ponto.

Sobre o futuro, Moro sabe que nada tem a fazer já que abriu mão de tudo para se tornar ministro do pior governo de todos os tempo. Nada mais lhe resta que bater na porta da Globo e lançar-se candidato.

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