Moro, Mazzaropi e o constrangimento internacional da visita recusada do consultor do Papa a Lula. Por Kiko Nogueira

Mazzaropi

Mazzaropi.

“Empresários presos na Lava-Jato que já deixaram a cadeia começam a espalhar como chamavam os procuradores e juízes”, diz o Correio Braziliense.

Moro era apelidado de Mazzaropi.

Jamais saberemos a razão exata do apodo, mas podemos especular.

Me ocorre o sotaque caipira.

Moro, filho de Maringá, interior do Paraná — que, de acordo com meu amigo Caco de Paula, é uma extensão de São Paulo —, puxa o erre como o ator e cineasta.

A semelhança física está descartada.

O humor também.

Principalmente o humor.

O Moro que bronqueou com Fernando Morais no depoimento relacionado à ação penal do sítio de Atibaia tem o estilo oposto ao pândego, bonachão Amácio Mazzaropi, o eterno “jeca”.

Morais foi acusado pelo magistrado de fazer “propaganda” ao narrar como Bono, do U2, elogiou Lula.

Morais ainda perguntou, mais adiante, se podia “fazer uso da palavra”.

Moro foi seco: “Não”.

Ao final, Morais explicou seu ofício: “Eu não ia jogar fora uma carreira de 50 anos para fazer propaganda de um presidente da República”.

Ficou flagrante, novamente, um incômodo pessoal de Moro com Lula.

Remete a uma inveja, mais do que ódio.

Ou uma admiração às avessas. Moro queria ser Lula?

Isso ficou patente quando ele justificou suas fotos com tucanos alegando que o ex-presidente fazia o mesmo com quem não era seu “aliado”.

Ora.

Um dos dois é político. Ou os dois?

Naquela mesma tarde em que Fernando Morais depunha, Juan Grabois, consultor do papa Francisco, era impedido de visitar Lula na prisão em Curitiba.

Grabois deixou de presente um rosário enviado, segundo ele, pelo pontífice.

Estaria Bergoglio fazendo propaganda de Lula, também?

Não é fácil para Sergio Moro lidar com isso. Especialmente após um fim de semana em Mônaco.

Tem que pensar em Mazzaropi: ”Tudo que acontece de ruim, é só para melhorar a vida da gente”.

Amém.

 

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