Moro, rebaixado, virou advogado de Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Nos últimos dias, Bolsonaro e Moro trocaram elogios em público. Mas reaproximação é incerta
Foto: Presidência da República

POR MOISÉS MENDES

É devastadora a resposta de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, à acusação de Sergio Moro de que o líder dos advogados faz militância político-partidária e que por isso o ex-juiz se recusa a recebê-lo. Essa é a resposta, encaminhada à jornalista Monica Bergamo, da Folha:

“Tenho dificuldade em acreditar que o ministro Moro tenha dito que só recebe quem concorda com ele. Aliás, política partidária ele faz desde que era juiz em Curitiba como demonstram as reuniões realizadas antes do segundo turno com a equipe do presidente.
Ele reduziu a função de ministro da Justiça à de advogado pessoal do presidente. Isso sim é política partidária. Ele não age como ministro de Estado, mas apenas como ministro de governo”.

Falta a Sergio Moro a capacidade de calibrar suas declarações, para que não cometa gafes primárias. Essa de dizer que não recebe o presidente de uma entidade do porte da OAB por causa de suas posições políticas e partidárias é uma barbeiragem de amador.

Mais do que autoritarismo, a declaração passa despreparo e ingenuidade. Moro reafirma-se como um simplório. Santa Cruz acabou por enquadrar o ex-juiz que pretendeu um dia ser ministro do Supremo.

Moro, na definição do presidente da OAB, foi rebaixado à condição de tarefeiro das demandas jurídicas de Bolsonaro, sempre enredado nos problemas dos milicianos, dos filhos, do ex-partido, do novo partido e dos ex-aliados. É o que cabe hoje ao ex-juiz no latifúndio do bolsonarismo.

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