Morre Afrika Bambaataa, pioneiro do hip-hop, aos 68 anos

Atualizado em 9 de abril de 2026 às 17:55
Afrika Bambaataa. Foto: Getty Images

O rapper e DJ Afrika Bambaataa morreu aos 68 anos na Pensilvânia, nos Estados Unidos, nesta quinta (9). Segundo o site TMZ, a morte foi causada por “complicações de um câncer”, informação atribuída a fontes próximas ao artista.

Ao lado de DJ Kool Herc e Grandmaster Flash, é considerado um dos fundadores do hip-hop. Seu maior sucesso foi “Planet Rock”, lançado em 1982 com o grupo Soul Sonic Force, que fundou um novo estilo musical: o electro-funk.

Nascido Lance Taylor, em 17 de abril de 1957, em Nova York, Bambaataa cresceu no Bronx e teve contato com a música ainda jovem, influenciado pela coleção de discos da mãe. Na juventude, integrou a gangue Black Spades e ascendeu ao posto de “warlord” (líder de guerra).

Na década de 1970, o artista começou a organizar festas de hip-hop, eventos que se tornou popular à época no sul do Bronx. Seu primeiro single, o “Zulu Nation Throwdown”, foi lançado em 1980, quando adotou o nome Afrika Bambaataa após contato com referências africanas. Na mesma época, ele criou a Universal Zulu Nation, organização voltada à cultura.

O artista manteve uma relação frequente com o Rio de Janeiro ao longo dos anos. Em 2010, abriu sua turnê brasileira no Circo Voador, em uma apresentação ao lado de Marcelo D2 e Mr. Catra. No ano seguinte, retornou ao país para se apresentar no Rock in Rio 2011, no Palco Sunset, em um show que aproximou o hip hop das sonoridades brasileiras. Em 2013, participou de uma parada na Lapa, e em 2019 visitou o Morro Santa Marta, onde foi fotografado ao lado da estátua de Michael Jackson.

Em entrevistas concedidas nos anos 2000, o artista comentou a relação entre sua obra e o funk brasileiro. “Vejo minha música no funk carioca, definitivamente. É tudo parte do electro funk, é minha família”.

Bambaataa também foi alvo de denúncias de abuso sexual. Em 2016, ao menos 12 homens relataram episódios ocorridos quando eram menores de idade, com denúncias que incluíam supostos crimes até da década de 1980. Ele foi expulso da Universal Zulu Nation pouco tempo depois.

No mesmo ano, ele deu uma entrevista à Fox 5 News e negou os crimes: “Eu nunca abusei de ninguém. É loucura ouvir as pessoas falando isso: ‘Você abusou de mim'”.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.