Morre aos 95 anos Robert Duvall, astro de “O Poderoso Chefão” e vencedor de Oscar

Atualizado em 16 de fevereiro de 2026 às 16:03
O ator Robert Duvall. Foto: reprodução

O ator lendário Robert Duvall morreu aos 95 anos neste domingo (15), deixando uma das carreiras mais marcantes da história do cinema. A morte foi anunciada na segunda-feira (16) por sua esposa, Luciana, que não divulgou a causa. Ícone de Hollywood e vencedor do Oscar, o artista estadunidense acumulou décadas de papéis memoráveis e sete indicações ao principal prêmio da indústria cinematográfica.

“Ontem nos despedimos do meu amado marido, amigo querido e um dos maiores atores do nosso tempo. Bob morreu em casa, de forma tranquila, cercado de amor e carinho”, escreveu a atriz em uma publicação no Facebook.

“Para o mundo, ele era um ator vencedor do Oscar, diretor e contador de histórias. Para mim, ele era tudo. Ele amava profundamente o que fazia e também os personagens que interpretava. Gostava de uma boa refeição e de estar com as pessoas, conversando e compartilhando momentos. Em cada papel, Bob se dedicava totalmente aos personagens e à verdade humana que eles representavam. Assim, deixou algo duradouro e inesquecível para todos nós”.

Ao longo de mais de sete décadas de trabalho no teatro, na televisão e no cinema, Duvall participou de produções consideradas clássicas, como “A conversação” (1974), “Rede de intrigas” (1976), “Apocalipse now” (1979) e “Um homem fora de série” (1984).

Seu nome, porém, ficou eternamente ligado à saga “O poderoso chefão”, na qual interpretou Tom Hagen, braço direito do patriarca da família mafiosa, papel que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar.

Robert Duvall em “O Poderoso Chefão”. Foto: reprodução

O reconhecimento máximo veio com a estatueta de melhor ator por “A força do carinho” (1983), drama no qual interpretou uma ex-estrela da música country destruída pelo alcoolismo. Décadas depois, voltou a ser indicado pela atuação em “O juiz” (2015), ao lado de Robert Downey Jr. e Billy Bob Thornton.

Em entrevista ao g1, em 2018, Thornton destacou a influência do colega em sua formação artística. “Este é um dos caras que eu estudei muito quando era jovem. Ele me ensinou muito. Me ensinou que há uma diferença entre ‘sutil’ e ‘entediante’. Me ensinou que não há esse negócio de ‘exagerado’, desde que seja real. Muitas coisas”, afirmou.

Duvall iniciou a carreira no teatro nos anos 1950 e ganhou projeção no cinema no começo da década de 1970, com participações em “MAS*H” (1970) e “THX 1138” (1971), estreia de George Lucas como diretor. Seu talento consolidou-se rapidamente e o colocou entre os grandes nomes de sua geração.

O ator retornou como Tom Hagen na continuação de “O poderoso chefão”, mas não participou do terceiro filme após divergências salariais. “Eu falei que trabalharia facilmente se pagassem a (Al) Pacino o dobro do que me pagavam. Tudo bem. Mas não três ou quatro vezes, que era o que eles pagavam”, afirmou em entrevista ao programa “60 minutes”, em 2004.

Seu último trabalho no cinema foi uma participação em “O pálido olho azul” (2022), estrelado por Christian Bale.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.