
O ator lendário Robert Duvall morreu aos 95 anos neste domingo (15), deixando uma das carreiras mais marcantes da história do cinema. A morte foi anunciada na segunda-feira (16) por sua esposa, Luciana, que não divulgou a causa. Ícone de Hollywood e vencedor do Oscar, o artista estadunidense acumulou décadas de papéis memoráveis e sete indicações ao principal prêmio da indústria cinematográfica.
“Ontem nos despedimos do meu amado marido, amigo querido e um dos maiores atores do nosso tempo. Bob morreu em casa, de forma tranquila, cercado de amor e carinho”, escreveu a atriz em uma publicação no Facebook.
“Para o mundo, ele era um ator vencedor do Oscar, diretor e contador de histórias. Para mim, ele era tudo. Ele amava profundamente o que fazia e também os personagens que interpretava. Gostava de uma boa refeição e de estar com as pessoas, conversando e compartilhando momentos. Em cada papel, Bob se dedicava totalmente aos personagens e à verdade humana que eles representavam. Assim, deixou algo duradouro e inesquecível para todos nós”.
Ao longo de mais de sete décadas de trabalho no teatro, na televisão e no cinema, Duvall participou de produções consideradas clássicas, como “A conversação” (1974), “Rede de intrigas” (1976), “Apocalipse now” (1979) e “Um homem fora de série” (1984).
Seu nome, porém, ficou eternamente ligado à saga “O poderoso chefão”, na qual interpretou Tom Hagen, braço direito do patriarca da família mafiosa, papel que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar.

O reconhecimento máximo veio com a estatueta de melhor ator por “A força do carinho” (1983), drama no qual interpretou uma ex-estrela da música country destruída pelo alcoolismo. Décadas depois, voltou a ser indicado pela atuação em “O juiz” (2015), ao lado de Robert Downey Jr. e Billy Bob Thornton.
Em entrevista ao g1, em 2018, Thornton destacou a influência do colega em sua formação artística. “Este é um dos caras que eu estudei muito quando era jovem. Ele me ensinou muito. Me ensinou que há uma diferença entre ‘sutil’ e ‘entediante’. Me ensinou que não há esse negócio de ‘exagerado’, desde que seja real. Muitas coisas”, afirmou.
Duvall iniciou a carreira no teatro nos anos 1950 e ganhou projeção no cinema no começo da década de 1970, com participações em “MAS*H” (1970) e “THX 1138” (1971), estreia de George Lucas como diretor. Seu talento consolidou-se rapidamente e o colocou entre os grandes nomes de sua geração.
O ator retornou como Tom Hagen na continuação de “O poderoso chefão”, mas não participou do terceiro filme após divergências salariais. “Eu falei que trabalharia facilmente se pagassem a (Al) Pacino o dobro do que me pagavam. Tudo bem. Mas não três ou quatro vezes, que era o que eles pagavam”, afirmou em entrevista ao programa “60 minutes”, em 2004.
Seu último trabalho no cinema foi uma participação em “O pálido olho azul” (2022), estrelado por Christian Bale.