Morre Divaldo Franco, bolsonarista líder do espiritismo no Brasil, aos 98 anos

Atualizado em 13 de maio de 2025 às 23:18
Divaldo Franco posando para foto na sede da Mansão do Caminho, em 2012. Foto: Márcio Lima/ Folha press

O líder espírita Divaldo Pereira Franco morreu na noite desta terça-feira (13), em Salvador, aos 98 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos. Ele lutava contra um câncer de bexiga diagnosticado em novembro de 2023. O velório público ocorrerá nesta quarta-feira (14), das 9h às 20h, no Ginásio da Mansão do Caminho, instituição que fundou, e o sepultamento ocorrerá no Cemitério Bosque da Paz.

Nascido em 5 de maio de 1927, em Feira de Santana, Divaldo manifestou mediunidade desde os quatro anos, quando recebeu uma mensagem de sua bisavó falecida. A família, de formação católica tradicional, via suas faculdades psíquicas como possessão demoníaca, submetendo-o a castigos físicos. Na adolescência, enquanto trabalhava em uma corretora de seguros, atendia clientes desencarnados — episódios que o levaram a ser diagnosticado como “louco” e quase submetido a eletrochoques.

Aos 17 anos, após a morte súbita do irmão José, Divaldo ficou paralítico por seis meses. Sua cura veio através da médium Naná Borges, que o introduziu ao Espiritismo. Em 1947, mudou-se para Salvador e, com o amigo Nilson de Souza Pereira, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção, dando início ao trabalho que culminaria na criação da Mansão do Caminho.

O projeto começou modestamente: uma escola improvisada sob uma mangueira, usando caixotes de madeira como carteiras. Hoje, ocupa 83 mil m² no bairro Pau da Lima, com mais de 50 edificações que incluem escolas, creches, cursos profissionalizantes e atendimento médico gratuito. Calcula-se que mais de 35 mil crianças foram educadas pela instituição.

Paralelamente ao trabalho social, Divaldo tornou-se um dos maiores psicógrafos do mundo. Seu primeiro livro, “Messe de Amor” (1964), ditado pelo espírito Joanna de Ângelis, iniciou uma produção que ultrapassou 250 obras, traduzidas para 16 idiomas e vendendo mais de 10 milhões de exemplares.

Como divulgador do Espiritismo, percorreu 65 países em mais de 70 anos de palestras, recebendo o título de “Embaixador da Paz”. Apesar das comparações com Chico Xavier, mantinha-se humilde: “Ele foi um mestre; eu apenas sigo seu exemplo”, dizia.

Nos últimos anos, Divaldo Franco se aproximou politicamente da extrema-direita. Durante o governo de Jair Bolsonaro, expressou apoio público ao ex-presidente e foi citado em eventos e discursos de lideranças bolsonaristas como uma referência espiritual alinhada aos valores da chamada “família tradicional”. 

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Francine Eustaquio
21 anos. Trabalha no DCM desde 2025. Interessada em política, cultura e temas sociais, dedica-se à produção de conteúdo informativo e otimizado para o público digital. Aprecia leitura, cinema e música, além de explorar novos destinos e experiências gastronômicas nas horas vagas.